domingo, 13 de janeiro de 2008

Direito à Profissão de Fé!

Na sequência de algumas opiniões publicadas, nos meios de comunicação, quer de um ou outro leigo, quer dos nossos Bispos, referindo a legitimidade de a Igreja assumir a sua missão, a ênfase continua a colocar-se, não raro, no serviço social que a Igreja presta a nível nacional. É inequívoco este serviço; e seria catastrófico para o Estado se a Igreja se demitisse destas suas responsabilidades. Sem dúvida, que não o fará, na justa medida em que esta acção se insere no cerne da sua vocação.
Mas parece-me, na linha daquilo que se pode subentender das palavras do Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, que afirmava, há dias, que o serviço social tem a sua origem na experiência do templo, particularmente na escuta da Palavra, que a profissão de qualquer fé está a montante desta prática social e que é um direito inalienável da pessoa humana. O direito a professar uma fé e a expressá-la pessoal e comunitariamente é um direito da pessoa humana. De tal modo assim é que a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia o consigna num dos seus artigos. Refere este documento, estruturante da vida dos cidadãos da Europa: «Todas as pessoas têm direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião. Este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, bem como a liberdade de manifestar a sua religião ou a sua convicção, individual ou colectivamente, em público ou em privado, através do culto, do ensino, de práticas e de celebração de ritos» (Art. 10º. §1 – Liberdade de pensamento, de consciência e de religião).
Ora, neste sentido, cabe a cada sociedade e a cada estado, democraticamente organizado, o respeito indiscutível pelos direitos mais fundamentais da pessoa humana, que aqui estão consignados. Ou seja, o estado tem o dever inquestionável de respeitar a prática religiosa pessoal e a livre associação em comunidade para a praticar.
A Igreja, por seu turno, não tem de se escudar na sua acção social. Sendo este um serviço inquestionável à pessoa humana e à sociedade, é apenas uma dimensão da sua prática e da sua acção. O direito ao culto é algo que lhe é devido! E não será qualquer organização do Estado, particularmente na União Europeia, que pode privá-la desse direito. Estamos todos obrigados ao respeito de normas comuns, mesmo que essas normas se refiram a convicções que não partilhamos. Um estado democrático assenta aqui as suas bases: no respeito pelo direito dos povos. E este é um, de entre tantos outros, que temos de saber assumir, afirmar e reivindicar.
Bom seria que os cristãos, conscientes da sua fé, assumissem como exigência por parte dos bens públicos, o respeito por um direito que lhes está salvaguardado.
É nesta linha que entendo a atitude do presidente francês de salvaguarda de princípios religiosos básicos. E partindo deste mesmo pensamento, acho perfeitamente inaceitável a afronta explícita, ou implícita, que certos governos europeus tentam fazer à Igreja, sejam eles italianos, espanhóis ou portugueses. O respeito pela legitimidade e pela acção de cada um é o único suporte de uma sociedade justa, equilibrada, mas igualmente democrática.
Carlos Alberto da Graça Godinho

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

No início de um Novo Ano!...

Estamos de novo em Janeiro! Iniciamos um novo ano. Tal significa iniciar um novo ciclo de vida. E refiro novo ciclo, porque o é realmente. A vida nunca se repete. Pese embora a semelhança com outros momentos da vida, numa linha de continuidade, cada momento é sempre uma novidade absoluta.
Por outro lado, o tempo é algo sem retorno. Segundo a mitologia grega, «Cronos», o deus do tempo, mata os seus filhos, significando com isto que o tempo nunca regressa ao passado. Mais ainda, o tempo é marcado por um processo de continuidade sem paragem.
Ora o tempo é a linha de construção da nossa vida. É nele que crescemos, nos desenvolvemos, realizamos os nossos projectos, convivemos, descansamos, trabalhamos, etc. Por isso, o tempo transforma-se em oportunidade única, considerando cada um dos seus momentos; pois cada um deles é singular, irrepetível, uma possibilidade de sermos cada vez mais, numa linha de construção da nossa própria identidade.
É assim que o tempo se transforma para nós em verdadeiro desafio, no sentido de vivermos «cada momento como se ele fosse o único», como afirmava o grande Papa João XXIII.
Mas o tempo não pode surgir desligado entre si; a vida construída no tempo não pode ser um somatório de momentos desarticulados, sem nexo e sem referências. A vida tem de ser construída no tempo com um fio condutor. Temos de ter um projecto: sabermos onde queremos chegar, dando-lhe um sentido. É aqui, então, que se inscrevem os valores – humanos, relacionais, cristãos…
Ainda em tempo de Natal, fica-nos, para nós cristãos, um forte desafio: no reconhecimento de Deus que se faz Homem, divinizarmos a nossa vida pela sua máxima Humanização, tendo como referência a Humanidade em Jesus Cristo. De todos os valores que n’Ele reconhecemos, sobressai a Sua vivência e o Seu ensinamento do Amor; de tal modo que a Sua própria vivência se torna verdadeiro ensinamento. O Amor é, para nós (certamente para todos nós homens!) o verdadeiro caminho, o verdadeiro projecto e o verdadeiro sentido. Não um amor qualquer, mas sim um amor autêntico, capaz de assumir exigências, de comportar a gratuidade, de assumir o risco do serviço, de ser dádiva de nós próprios. Só assim o amor nos plenifica, preenchendo cada momento. Um amor vivido deste modo é fundamento da alegria no tempo e é, desde já, construção da eternidade.
É com esta perspectiva, assumida por mim e partilhada convosco, que vos desejo a todos um Feliz Ano Novo. Um ano cheio de sentido; o mesmo é dizer, cheio de Amor. Então, inequivocamente, um ano de paz, de alegria, de partilha, de felicidade. Votos de um Feliz 2008!

Pe. Carlos Alberto da Graça Godinho

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Feliz Natal!


No Natal são muitas as mensagens que trocamos: de felicitações, de solidariedade, de amizade, de partilha de sentimentos, etc...
Mas o Natal é sempre o NASCIMENTO DE CRISTO!
Não o nascimento na história, já acontecido há mais de dois mil anos (acontecimento real, histórico e transformador);
mas o nascimento no serviço à pessoa humana, que Deus quis assumir!
Por isso, se renova para mim, e certamente para cada um de nós, aquele desafio que este Deus feito homem nos dirigiu e nos dirige, em cada momento presente:
O que fizeste a um dos meus irmãos mais pequeninos a Mim o fizeste!
Aqui está a essência do Natal:
celebrando a vinda à história do Deus feito Menino, reconhecê-lo, aqui e agora, em tantos rostos, que são o seu!
Só assim o Natal fica completo!
Um Santo Natal para todos, cheio das bençãos do Deus Menino!
Cheio daquela benção que nos advém da vivência da Caridade!
Com muito carinho por quem me visita:
Pe. Carlos Godinho

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Ver com o coração!


"Só se vê bem com o coração.
O essencial é invisível aos olhos."

(Antoine Saint-Exupéry)

domingo, 16 de dezembro de 2007

A Alegria!

Adormeci e sonhei que a vida era alegria; despertei e vi que a vida era serviço; servi e vi que o serviço era alegria.
(Tagore)
Neste Domingo - Domingo da Alegria - partilhava estas convicções:
- A Alegria é um dom que jamais nos será tirado, pois a Verdadeira Alegria é a própria Vida Divina;
- A Alegria é uma possibilidade, aqui e agora, pelo acolhimento do Espírito de Deus e da Palavra de Jesus Cristo;
- A Alegria é um dom partilhado: sempre que somos uns para os outros à imagem de Jesus Cristo, somos fonte de Alegria, porque fonte de liberdade e de paz.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Felicidade!


A vida é demasiado breve para a não vivermos com intensidade e com Felicidade!
Deus criou-nos para sermos Felizes!
Este é um dos nossos deveres!
Sede Felizes, enquanto esperais a FELICIDADE PLENA!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Verdadeira Educação!

"Os Portugueses estão cada vez mais a libertar-se da culpa e a assumir as suas responsabilidades!"

Ana Mesquita in Portugal no Coração


Esta é uma indicação interessante, uma vez que a opção nunca se pode basear na culpa, mas sim na convicção. Qualquer ética tem de apontar para aqui - para a responsabilidade e a capacidade de optar. Este parece-me, também, o maior desafio em termos de educação: formar para a responsabilidade e nunca para o medo.
Esta visão da vida configura novos modos de comunicação e interiorozação de valores; estes não se fazem pelo medo, mas sim pelo descernimento.
É, igualmente, um forte desafio para quem forma: pais, escolas, igrejas, sociedade... Formar para a responsabilidade é sempre o grande desafio!