
Assumindo a sustentabilidade da terra como preocupação, a Organização da Nações Unidas propõe-nos como tema de reflexão e de acção, para este ano de 2008, o Planeta Terra – Ano Internacional do Planeta Terra. De igual modo, o Papa Bento XVI, na sua mensagem de Ano Novo, assume o tema com um conjunto de chamadas de atenção aos cristãos e aos homens de boa vontade, no sentido de cuidarmos da criação que nos foi confiada e de a legarmos como dom primeiro – a casa comum – aos vindouros. O Papa apela-nos, nessa mensagem, para uma verdadeira necessidade de conversão no modo como usamos os bens da criação, fundamentando-se no livro dos Génesis, concretamente na responsabilidade que cabe ao homem no sentido de cuidar desse dom precioso que Deus lhe confiou.
Sabemos que o problema ambiental é resultado de uma visão meramente economicista da vida, que não poupa nada nem ninguém. As nossas sociedades organizaram-se em torno do desenvolvimento económico sem cuidarem da sua viabilidade. Em última instância, não hesito em dizer que estamos diante do mais puro egoísmo e ganância, que não respeita nada nem ninguém, com as consequências humanas referidas.
Em tempo de Quaresma, a questão ambiental será um convite importante para todos nós, no sentido de mudarmos alguns hábitos e atitudes, de modo a contribuirmos para uma sustentabilidade da vida e da criação, de modo a que o dom de Deus seja por nós respeitado e cultivado, na fidelidade aos desígnios desta mesma criação. Torna-se mesmo um dever de consciência diante de nós próprios e de tantos dramas que resultam destes desequilíbrios.
Aqui não basta uma certa solidariedade; a caridade cristã assume hoje, também, estes contornos inadiáveis, transformando-se em imperativo de consciência. E os nossos gestos, por mais pequenos que sejam, serão sempre um contributo precioso.
Pe. Carlos Alberto das Graça Godinho