sexta-feira, 17 de junho de 2016

Género


GÉNERO


    Um dos sinais mais inquietantes da cultura hodierna, pelo que significa de degradação da identidade humana e da sua intersubjetividade e comunhão, é a atual questão do género. Uma séria antropologia, assente em factos e não em simples teorias, perfilha o princípio fundamental de que nos dividimos entre o masculino e o feminino; isto é, entre a riqueza de ser homem e de ser mulher. Este é um dado fundamentalíssimo da nossa identidade humana, que assenta numa conceção antropológica com bases científicas – seja na conceção física, psíquica, afetiva ou espiritual de cada ser humano. Todos nós somos homem ou mulher; e nunca uma realidade neutra; ou, menos ainda, uma realidade metamórfica que nos permita ser uma e outra coisa, de forma alternada ou permanente, como se em nós subsistisse o «Hermafrodito» - a divindade grega híbrida que, em certo sentido, representava a união entre Hermes e Afrodite.

   A teoria de género fez o seu percurso ao longo dos últimos séculos, particularmente com as lutas feministas, na procura de suplantar a dominação masculina sobre o feminino, ganhando nova cidadania a partir da década de setenta, do século passado, com os estudos de género (gender studies). Mas estes estudos deram origem, atualmente, a uma ideologia – a ideologia de género - que dificulta a compreensão do ser humano, provocando uma autêntica revolução no conceito de pessoa. A ideologia de género absolutiza o individuo e o seu desejo subjetivo, independentemente de fatores determinantes de caráter físico, psíquico, afetivo ou social. Esta ideologia, assente em quatro pilares fundamentais: a negação da diferenciação entre homem e mulher, que subsiste apenas devido a uma distinção social, e que será necessário ultrapassar; a separação entre sexualidade e reprodução; a separação entre sexo e género, o que significa que cada um pode ter uma característica sexual e optar por viver um género diferente; e a multiplicação de termos para enquadrar novas possibilidades de autodeterminação de género, rejeitando como pensamento retrógrado e anticientífico quem reafirme os princípios tradicionais; coloca-nos face a uma visão subjetivista e desestruturadora da realidade humana, conduzindo-nos a uma conceção de pessoa que nega o que há em nós de mais profundo, pois nunca se pode estabelecer a cisão entre ser físico e ser psíquico ou espiritual. O ser humano é uno, sendo estas dimensões, que se interpenetram, constitutivas da identidade própria de cada individuo. Certamente enquanto dado natural e socialmente adquirido, sempre em aprofundamento, mas em conformidade com essa mesma identidade.

   Partilhando o princípio da ideologia de género, chegaremos à negação da nossa identidade pessoal; bem como à confusão do que pretendemos ser. Por outro lado, a ideologia de género, abre espaço a uma desestruturação social, onde a autêntica inter-relação, que é alteridade, em última instância se transforma em absoluto egocentrismo, solidão existencial e isolamento.

   Criados em «igualdade, enquanto pessoas humanas» (cf. CIC. 369), homem e mulher são feitos um para o outro (cf. CIC. 372), completando-se nessa entrega.

   Atente-se, todavia, que a negação da ideologia de género não significa a inaceitação terminante, sem discernimento, de outras formas de vivência da sexualidade e da intersubjetividade, que não podemos agora analisar. Terminologias como heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade ou transsexualidade, derivam da mesma conceção básica da natureza humana, ou seja do modelo primeiro do ser homem e mulher; deixando espaço, depois, ao modo como pessoalmente isso é vivenciado.

   Aceitar a ideologia de género significaria negarmos a nossa identidade pessoal e social. Necessitamos urgentemente de nos redescobrir como pessoas, na nossa identidade mais profunda; e como pessoas em relação, o que modela toda a nossa vida em sociedade!

 

Pampilhosa, 09 de Junho de 2016

Pe. Carlos Alberto Godinho
(4ª Reflexão)

 

Educar


EDUCAR 
 

   Nos últimos tempos temos assistido a um aceso debate público a propósito dos contratos de associação entre o Estado e os Colégios Particulares. Durante algum tempo – décadas – estes colégios complementaram e enriqueceram a rede pública de educação. Mas agora a realidade começa a inverter-se! Não querendo entrar, aqui, diretamente nesta problemática da legitimidade, ou não, do financiamento público dos colégios privados com contrato de associação, julgo que devem merecer a nossa atenção algumas das razões que subjazem a esta problemática, bem como a pergunta: a quem compete educar?

   Dois fatores são determinantes para a atual situação das escolas e a pretensão de rever imediatamente os critérios de contrato de associação. Em primeiro lugar, o fator demográfico: assistimos a uma crescente baixa da natalidade que, como seria de esperar, se viria a refletir nas escolas. Obrigando, naturalmente, a rever os estabelecimentos /escolas oferta face a uma diminuição da procura. Este é um fator que tende a agravar-se, no futuro, face à baixa natalidade. Depois, a opção governamental de revisão imediata e unilateral, sem reflexão apropriada, evidencia uma questão claramente ideológica, sobrepondo o decisor – o Ministério da Educação – a alguns dos seus parceiros que detêm a missão de educar. Bem sabemos, como afirma Fernando Catroga, na referência à «batalha pela escola laica» em França, na década de oitocentos, que «contra um ensino dogmático, ultramontano e antimoderno, se impunha [nessa altura] edificar uma «educação nacional» que fosse alfobre de cidadania”[1]. Por certo, não estaremos longe, hoje, deste princípio ideológico.

   Mas educar (na sua origem etimológica “direcionar para fora”; isto é, preparar as pessoas para o mundo e para a vivência em sociedade) cabe essencialmente aos pais, na escolha dos modelos de formação que pretendem para os seus filhos. Ao contrário de algumas teorias que afirmam que a escola apenas instrui, devemos afirmar que a escola educa – na formação de conteúdos, mas também no desenvolvimento pessoal e na cidadania. Ora, a escolha dos pais é mais do que legítima. Tanto mais que, pese embora a Constituição afirme que ao Estado pertence «assegurar o ensino básico e universal», criando um «sistema público» de educação (art. 74º); a mesma Constituição refere que é «garantida a liberdade de aprender e ensinar» e que o Estado «não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas» (art. 43º). Assim, as escolas não podem deter uma orientação monolítica. Mais do que a problemática entre escola pública e privada, deve equacionar-se o modelo de escola e de educação que pretendemos atualmente, correspondendo aos anseios dos pais, quanto à formação dos seus filhos. Neste sentido, necessitamos de novos modelos, com a definição clara e diversificada de projetos educativos; a liberdade de escolha de cada projeto; e um envolvimento efetivo dos pais na definição desses mesmos projetos de formação dos seus filhos. Não cabe ao Estado educar, mas sim garantir a todos a educação! Educar é tarefa dos pais, segundo os modelos que legitimamente se enquadrem nas opções formativas que estes desejem para os seus filhos.

 
Pampilhosa, 02 de Junho de 2016

Pe. Carlos Alberto da Graça Godinho
(3ª Reflexão)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




[1] CATROGA, Fernando – Entre Deuses e Césares. Secularização, Laicidade e Religião Civil – Uma perspetiva histórica. Coimbra: Edições Almedina, 2006, p. 330.
 
 

Peregrinar


PEREGRINAR

      Estamos prestes a terminar o mês de Maio, ciclo de tempo marcado por múltiplas peregrinações, particularmente em direção ao Santuário de Fátima. São diversos os grupos em caminhada nesta época, particularmente nas datas mais próximas do dia 13. Mas também pessoas ou pequenos grupos, mais isolados, que calcorreiam os caminhos de Fátima, ao longo de todo o mês.

   Para além deste percurso de peregrinação, intensifica-se, neste período, prolongando-se pelos próximos meses, o número daqueles que percorrem os Caminhos de Santiago de Compostela. De resto, bem visíveis entre nós, nos trilhos definidos ou nos itinerários principais que conduzem ao norte.

   Diante deste fenómeno crescente, que se renova atualmente, surge-nos a pergunta: que significado tem peregrinar, nos tempos atuais? E que motivações conduzem à peregrinação? O sentido etimológico da palavra peregrino remete-nos para o significado de viagem e de estrangeiro. Peregrino é aquele que viaja; e, não raro, o estrangeiro em viagem. Mas peregrinar é símbolo da própria vida, cuja realização histórica se pode compreender à luz de um caminho a percorrer. Não é sem razão que muitos autores qualificam o ser humano como «homo viator» - homem viajante ou ser a caminho! Ora, como em qualquer outra peregrinação, esta – a da vida – requer três aspetos essenciais: a decisão da partida; o percurso; e a meta que se almeja. Não basta existir; é necessário ter a ousadia de partir permanentemente e dar um sentido à caminhada da vida. Assim, o percurso – definido por cada um, mas inevitavelmente permeado pelo desconhecido de tantos acontecimentos – constitui a decisão de perseguir, em cada dia, um conjunto de objetivos que dão sentido ao caminho. A meta será distinta (ou talvez não!), em conformidade com a decisão de cada um. Mas a meta será inevitavelmente o grande objetivo de todo o caminho. Num tempo de superabundância de propostas, palavras e ideias, tantas vezes transformadas em ideologias; num tempo de imposições, mesmo de credos religiosos, que se relativizam; cada um sente necessidade de procurar o seu caminho. De definir a sua peregrinação! Centrada no essencial, buscando a verdade, como sentido da vida.

   Se nos caminhos de Fátima se procura alcançar uma graça, agradecer um dom recebido, fazer experiência de comunhão ou experiência espiritual; se nos Caminhos de Santiago se busca, na quebra do ritmo ordinário da vida, uma experiência pacificadora, a procura ou encontro consigo, o repouso interior, a vivência espiritual ou cultural; a vida como peregrinação visa ousar arriscar uma vivência para além das propostas socialmente adquiridas; a capacidade de definir um sistema de valores que preencha o caminho, assentes no essencial da existência humana; no desejo de alcançar a meta, que se confunde, para todos nós, com os nossos anseios mais profundos – a plenitude, a autêntica felicidade! Que podendo ter rostos diferentes nos remete para um mesmo sentido.

   Urge, pois, peregrinar; fazer caminho… para que a vida valha a pena!

 

Pampilhosa, 26 de Maio de 2016

Pe. Carlos Alberto Godinho
(2ª Reflexão)

 

 

  

 

 

Sentido da Comunicação


SENTIDO DA COMUNICAÇÃO

 

   Comunicar é uma ação fundamental da nossa vivência humana – pessoal e social. Comunicar, que tem a sua raiz na expressão latina communicare, significando «repartir, dividir alguma coisa com alguém», tem esta imensa força da partilha – do que somos e do que vivemos!
Assim, tem, por certo, um especial significado falar de comunicação, ao iniciarmos esta colaboração com a Rádio Clube da Pampilhosa, questionando-nos sobre o sentido da nossa comunicação.
   Comunicar confunde-se, frequentemente, com uma simples expressão unilateral de ideias, de pensamentos, de sensibilidades ou de experiências! Ou, o que seria mais grave, a imposição das ideias pessoais, convicções ou sentimentos. O que significaria a sobreposição pessoal sobre os demais.
   Comunicar é uma atitude dialógica, em que o diálogo, como referia, há uns anos, um grupo de trabalho italiano, consiste na capacidade de comunicar o nosso próprio íntimo, a fim de oferecermos ao outro o melhor de nós próprios e, deste modo, prepararmos uma abertura recíproca e profunda que constrói o amor.[1] Não um simples desabafar ou conversar com o outro, mas a vontade de construir uma comunhão profunda.[2] Sabendo que a primeira regra para essa comunhão é precisamente a atitude de escuta e de sincero acolhimento.[3] Implicando verdadeira alteridade, o diálogo pressupõe ainda o respeito infinito pelo outro – pelas suas vivências, ideias, sensibilidades ou convicções.
   Ora, a rádio tem de ser um profundo espaço de diálogo. E sê-lo-á quanto mais próxima estiver dos seus ouvintes! Isto é, quando mais enraizada estiver no âmago das vivências daqueles a quem se dirige.
   Durante algum tempo pensou-se a rádio segundo as orientações e sensibilidades de quem a dirigia ou nelas produzia conteúdos, atendendo a programas credíveis, previamente estabelecidos. Hoje, particularmente com as novas formas de comunicação, a rádio necessita de ser um espaço de escuta, de conhecimento aprofundado do seu auditório, das suas preocupações e das suas aspirações. Para depois, com a sua programação, ir ao encontro dos seus anseios. A rádio tem de tornar-se, cada vez mais, um meio de diálogo – entre pessoas, grupos, sensibilidades, vivências, num esforço de comunhão que abrace a todos. Como referiu o Papa Francisco, a propósito do último Dia Mundial das Comunicações Sociais: «A comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade»[4]. Fazer rádio, como meio e instrumento de encontro e de diálogo, é um desafio profundo – no presente e para o futuro!
 
Pampilhosa, 19 de Maio de 2016
Pe. Carlos Godinho
(1ª Reflexão)
  



[1] Cf. CENTRO MISSIONÁRIO PE. FOUCAULD. CUNEO – O Diálogo. Reflexões Comunitárias. Tradução de Frei Paulo Beretta. Coimbra: Gráfica de Coimbra, 1989, p. 20.
[2] Cf. Ibidem, p. 20
[3] Cf. Ibidem, pp. 28 – 29.
[4] Cf. PAPA FRANCISCO – Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo. Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Vaticano, 8 de Maio de 2016.

Novos textos

Com a minha participação na rúbrica «10 para as 10» na Rádio RCPfm, irei publicar aqui os textos que for escrevendo para este programa. Será uma outra forma de partilhar com todos as minhas reflexões! Que são sempre pontos de vista pessoais, assentes nas minhas convicções, sensibilidade e compreensão das realidades a abordar.
Luso, 17.06.2016
Carlos Alberto G. Godinho

sexta-feira, 26 de setembro de 2014


DIA MUNDIAL DO TURISMO – 2014

TURISMO E DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO


   Como nos demais anos, celebra-se, no próximo dia 27 de Setembro, o Dia Mundial do Turismo, subordinado ao tema: Turismo e Desenvolvimento Comunitário; segundo proposta da Organização Mundial do Turismo (OMT). Acontecimento a que a Igreja se tem associado sempre, particularmente mediante as mensagens Pontifícias e do Pontifício Conselho para a Pastoral do Migrantes e Itinerantes.

   A Igreja em Portugal, particularmente nos últimos anos, não deixa de acolher esta oportunidade para adequar as mensagens propostas à sua realidade específica, visando algumas reflexões que possam ser úteis para a promoção de um turismo de autêntico rosto humano.[1]

   Tendo como fundamento o tema proposto pela OMT e a mensagem do referido Pontifício Conselho, gostaríamos de tecer algumas considerações sobre o turismo, enquanto oportunidade de um autêntico desenvolvimento comunitário.


1.      Breve análise do turismo em Portugal

             É hoje inequívoca a consciência de que o turismo é uma das atividades humanas em maior expansão, constituindo-se na «maior indústria do mundo e o principal deslocamento humano em tempos de paz na história da humanidade»[2], tendo ultrapassado já, globalmente, a cifra de um bilião[3] de pessoas em movimento por razões turísticas. Constituindo-se ainda como uma das grandes fontes de receita de diversos países, nomeadamente dos que estão em vias de desenvolvimento.

   Portugal tem beneficiado extraordinariamente desta atividade, que se constitui, do ponto de vista económico, como um dos setores estratégicos para a economia nacional, pelas receitas diretas e indiretas que gera, sendo responsável por cerca de dez por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

   Se o ano de 2013 foi extremamente positivo para o setor do turismo, em Portugal, com um acréscimo de 7,5% nos proveitos económicos[4], face a ao ano de 2012, o presente ano, de 2014, promete consolidar esta tendência, porquanto se regista já um acréscimo de 7,3% no primeiro trimestre, face ao período homólogo de 2013.[5]

   O turismo assume, assim, no contexto nacional, um potencial singular na promoção da economia, no crescimento do emprego, no desenvolvimento de infraestruturas que respondam às suas necessidades, bem como na promoção e desenvolvimento de outros setores de atividade, indiretamente ligadas à ação turística. Ou seja, o turismo insere-se num todo que deve potenciar e promover, contribuindo para o referido «desenvolvimento comunitário».

 
2.      O conceito de desenvolvimento comunitário e seus elementos constitutivos

            O desenvolvimento comunitário pode definir-se como o «processo tendente a criar condições de progresso económico e social para toda a comunidade, com a participação ativa da sua população e a partir da sua iniciativa»[6]. Tal definição releva um progresso global, a iniciativa da própria comunidade e a integração de todos os seus elementos no processo de desenvolvimento. O Conselho Pontifício, ao referir-se ao turismo, aponta precisamente este mesmo sentido, ao recordar-nos que «o desenvolvimento turístico exige que o protagonista principal seja a comunidade local, que o deve fazer seu, com a participação concreta dos parceiros sociais, institucionais e civis»[7]. Isto é, o turismo, ainda que assente na ação de operadores especializados, não pode considerar-se como uma atividade particular de alguns, que o promovem e dele beneficiam, mas sim como uma ação conjunta, potenciadora e integradora das diversas iniciativas a atividades individuais ou coletivas, numa autêntica solidariedade, que vise o bem de todos.

   Mas a noção de desenvolvimento comunitário remete-nos ainda para um conceito mais vasto: o de desenvolvimento humano[8]. O Papa Paulo VI, afirmando a perspetiva cristã do desenvolvimento, considerava-o assim: «o desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento económico. Para ser autêntico, deve ser integral, quer dizer, promover todas as pessoas e a pessoa toda» (PP. 14).[9] Ora, esta é uma visão que nos cumpre implementar na abordagem da atividade turística. Libertando-a de uma conceção exclusivamente economicista, a atividade turística tem de considerar-se como «multidimensional» - económica, geográfica, legal, sociológica, ecológica e antropológica[10]; na consciência de que esta última dimensão compreende a visão do homem na sua totalidade, em que necessariamente se insere a sua vivência espiritual. Neste sentido, o turismo, para ser promotor de desenvolvimento comunitário, em Portugal, tem de contemplar as assimetrias geográficas, cuidando das potencialidades de todo o território nacional; tem de ter em consideração a vivência das comunidades, salvaguardando a sua cultura e identidade; bem como preservar o património natural, numa autêntica responsabilidade ecológica. Não poderá ainda demitir-se da sua contribuição para o bem integral de cada pessoa, seja pela redistribuição dos proveitos da atividade turística (salários justos, equilibrados horários de trabalho, valorização das demais atividades económicas, como a agricultura, a pecuária e o artesanato), seja criando as condições necessárias para uma valorização integral de cada visitante e suas respetivas famílias.

   Em suma, o turismo para estar ao serviço de um autêntico desenvolvimento comunitário, que pressupõe um autêntico desenvolvimento humano, pois não há comunidade sem pessoas, é chamado a servir o bem comum, entendido como «o conjunto de condições da vida em sociedade que permitam, tanto aos grupos como a cada um dos seus membros, atingir mais plena e facilmente a sua perfeição» (GS. 26), sabendo que tal comporta direitos e deveres que dizem respeito a todos.


3.      Missão da Igreja e Turismo

             No contexto da atividade turística, a Igreja tem uma especial responsabilidade na implementação de um turismo que favoreça um autêntico desenvolvimento humano e comunitário.

   Desde logo, apontando, nas suas várias instâncias – nacional, diocesana ou paroquial –, os princípios básicos da Doutrina Social da Igreja, que servirão aos cristãos como fundamento orientador da sua ação na atividade turística, visando precisamente o desenvolvimento humano e comunitário que o turismo deve servir. Para tal, as paróquias ou os serviços diocesanos, deverão providenciar pequenas ações de formação sobre a Doutrina Social da Igreja, munindo de princípios fundamentais os cristãos que trabalham no setor.

   Depois, as paróquias, enquanto comunidades integradoras das vivências locais, devem, em colaboração com as demais instituições comunitárias, esforçar-se por preservar a cultura e a identidade locais, expondo-as de forma criteriosa, sem deixar que estas se desvirtuem ou se empobreçam. Aliás, num sábio diálogo com os visitantes, as comunidades enriquecem-se, valorizando o seu património, seja ele material, cultural ou espiritual. Quando este esforço é conjunto, entre os diversos parceiros locais, reforça-se a coesão comunitária em torno de valores identitários que a todos comprometem.

   Neste contexto, merece particular atenção o património cultural e religioso, material e imaterial; sendo expressão viva da cultura e da espiritualidade de uma comunidade, deve ser preservado e disponibilizado, contribuindo para o reconhecimento e fortalecimento da identidade local, ao mesmo tempo que serve o enriquecimento humano e espiritual de quem visita essas comunidades.

    Todavia, a primeira tarefa da Igreja é evangelizar, como nos tem recordado ultimamente o Papa Francisco, repetindo que «a evangelização obedece ao mandato missionário de Jesus: “Ide, fazei discípulos de todos os povos (Mt. 28, 19)”» (EG. 19). E cujo conteúdo essencial é o encontro pessoal e vital com a pessoa de Jesus Cristo; ou seja, «o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo», retomando a afirmação de Bento XVI (DCE. 1; EG. 7).

   A evangelização, pela sua natureza, está ao serviço do desenvolvimento humano e comunitário, pois, como refere o Pontifício Conselho, «a partir da nossa fé, podemos oferecer o sentido de pessoa, o sentido de comunidade e de fraternidade, de solidariedade, de busca da justiça, de saber que somos guardiães da criação e, sob a ação do Espírito Santo, prosseguir a colaboração com a obra de Cristo»[11]. Neste sentido, deverão privilegiar-se, nas nossas comunidades cristãs, atitudes de acolhimento[12] – a relação pessoa a pessoa (cf. EG. 127) – e de  uma autêntica criatividade pastoral; para que todos os meios, de que a Igreja dispõe, possam colocar-se ao serviço do anúncio de Jesus Cristo, Aquele que é a plenitude de todas as coisas, pois «Ele existe antes de todas as coisas e todas têm n’Ele a sua subsistência» (Col. 1, 17).

 

Luso, 25 de Setembro de 2014

Pe. Carlos Alberto da Graça Godinho

Diretor da ONPT

 



[1] Cf. GODINHO, Carlos Alberto da Graça – Um Turismo de Rosto Humano. Luso, 11 de Julho de 2012.
[2] PINTO, Roque – Prefácio. In PEREIRO PÉREZ, Xerardo – Turismo Cultural. Uma visão antropológica. Tenerife: PASOS - Revista de Turismo y Patrimonio Cultural, 2009, p. 1.
[3] Cf. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO (OMT) – World Tourism Barometer. Vol. 11. Janeiro de 2013.
[4] Cf. TURISMO DE PORTUGAL – Os resultados do Turismo – 4º Trimestre e ano de 2013, p. 20 [In www.turismodeportugal.pt; consultado a 24 de Setembro de 2014].
[5] Cf. Ibidem – Os resultados do Turismo. 1º Trimestre de 2014, p. 20 [in www.turismodeportugal.pt; consultado a 24 de Setembro de 2014].
[6] United Nations Secretary General, 1953 – 1961. In MARTINS, Maria José Seixas – O Desenvolvimento Comunitário e a sua vertente Educativa: Estudo Comparativo entre Peterborough e Chaves. Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação. Chaves: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, 2012, p. 15.
[7] PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Turismo e Desenvolvimento Comunitário. Mensagem para o Dia Mundial do Turismo 2014. Vaticano, 1 de Julho de 2014, nº 3.
[8] Cf. Ibidem, nº 1.
[9] Cf. Ibidem, nº 1.
[10] Cf. PEREIRO PEREZ, Xerardo – Turismo Culttural. Op.cit., p. 5.
[11] Cf. PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Turismo e Desenvolvimento Comunitário. Op. cit., nº 4.
[12] Cf. GODINHO, Carlos Alberto da Graça – O Acolhimento na Pastoral do Turismo. Lisboa, 11 de Julho de 2014. [Disponível em www.pastoraldoturismo.pt].

  DIA MUNDIAL DO TURISMO – 2013

ÁGUA: DOM E VALOR!
 

«Visitastes a terra e a resgastes, enchendo-a de fertilidade. As fontes do céu transbordam em água e fazeis brotar o trigo. Assim preparais a terra» (Sl. 65, 10).

 

   Ao celebrarmos o Dia Mundial do Turismo, neste ano de 2013, olhamos para a água, elemento fundamental da criação, como um dom e um valor. Dom que brota do ato criador, como princípio vital (cf. Gn. 1, 9. 20; cf. Sl. 65, 10); e que é oferecido ao homem para seu usufruto, como um valor que cuidadosamente deve administrar (cf. Gn. 1, 26; Sl. 8, 7. 9).

   Consciente da importância da água para a vida humana e toda a sua atividade, o Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes quis tomar, para esta celebração, o tema proposto pela Organização Mundial do Turismo: Turismo e água: proteger o nosso futuro comum, em conformidade, ainda, com a resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas que, no contexto da «Década Internacional para a Ação (2005 – 2015) – A água fonte de vida», defende que «a água é fundamental para o desenvolvimento sustentável, em particular para a integridade ambiental e a erradicação da pobreza e da fome, é indispensável para a saúde e o bem-estar do homem, e é fundamental para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio»[1].

   No intuito de compreendermos a importância deste elemento da natureza, sua simbologia e necessidade de, entre nós, o preservarmos, detenhamo-nos nas seguintes notas:

   1. As águas, nas chamadas cosmogonias aquáticas, particularmente orientais, simbolizam a «totalidade das virtualidades»; elas são «fons et origo» - fonte e origem; «a matriz de todas as possibilidades de existência»[2]. Precisamente porque simbolizam «a substância primordial de que nascem todas as formas»[3], estando presentes no princípio e no fim de todos os ciclos cósmicos, enquanto realidade germinativa e fonte de vida, em todos os planos da existência.[4]

   A água, um dos «mais importantes pressupostos da vida»[5], assume igualmente na simbologia bíblica o sentido de «felicidade», de «segurança» e de «vida», ainda que simultaneamente, pelas características de elemento que facilmente se esvai, a perceção da «transitoriedade» da própria existência humana.[6] Nesta simbólica bíblica, a água manifesta essencialmente a própria vida divina, que sobre nós se derrama, particularmente quando Deus é apresentado como «fonte de água viva» (Jer. 17, 13); imagem que ganha sentido pleno em Jesus Cristo, que Se afirma a si próprio como fonte dessa água (cf. Jo. 4, 10), capaz de se tornar, para os que n’Ele creem, uma fonte que jorra para a vida eterna (cf. Jo. 4, 14).[7] O texto do Antigo Testamento simbolizava já na água a plenitude do próprio reino de Deus, pois que assim como aquela, por onde passa, renova todas as coisas, também este Reino será definitivo, plenificando toda a criação (cf. Ez. 47, 1. 12). E, para o cristão, de modo particular, a água remete ainda para o dom do batismo, pois por ela fomos purificados, tornando-nos - unida ao dom do Espírito Santo - participantes da condição singular de filhos de Deus (cf. Rm. 6, 4 – 11).[8]

   Ora, quer nas cosmogonias referidas, quer na simbólica bíblica, a água é apresentada numa das suas características fundamentais – fonte de vida. Sem ela não há existência. Na verdade, ela é «fons et origo»[9], o que a torna tão preciosa, quanto essencial. Assim sendo, absolutamente necessária à vida de toda criação e, consequentemente, de todo o género humano. Sabemos, todavia, que a água é um recurso limitado e que, à escala global, nem todos têm igual acesso a este dom fundamental, particularmente quando as transformações climatéricas tendem a estender sobre boa parte do orbe terrestre um manto crescente de desertificação. Daí que se imponha, no que se refere ao acesso à água, o mesmo princípio fundamental, definido pelo Concílio Vaticano II, a propósito do destino universal dos bens: devem servir a todos os homens e povos, de modo que a todos cheguem equitativamente, segundo os princípios da justiça, que não podem separar-se da autêntica caridade (GS. 69). O que pressupõe, à medida que se consciencializa o limite dos recursos disponíveis, «a necessidade de interpretar os ritmos da natureza e de tê-los em conta na programação do desenvolvimento» (SRS. 26), como referia o Papa João Paulo II. Tanto mais que, no que se refere à água, este recurso incide diretamente sobre as condições de vida de cada pessoa e sobre as suas mais elementares capacidades económicas.

   O turismo, neste contexto alargado, deve favorecer o respeito pelo ambiente – a autêntica «preocupação ecológica» (SRS. 26) - no uso mais moderado dos recursos naturais e numa perspetiva de solidariedade com todas as culturas locais.[10]
 

2. A água é um valor singular para toda a atividade turística, direta e indiretamente. O recurso a este elemento natural está presente nas atividades de lazer: na procura das estâncias balneares ou de recreio aquático; no turismo de natureza; e no turismo de saúde, concretamente com as clássicas ou novas modalidades de termalismo e SPA. O consumo dos recursos hídricos aumenta ainda com o número de turistas, seja na restauração ou nos espaços de alojamento. Acrescendo, igualmente, a sua utilização como meio de embelezamento e de arranjo urbanístico, em espaços públicos. Não deixando, ainda, de se considerar a indispensabilidade da água na manutenção e gestão de espaços de recreio e desporto, entre os quais sobressai a prática do golfe. Estas e outras necessidades configuram uma forte utilização dos recursos existentes, nem sempre consciente das suas implicações face aos recursos realmente disponíveis.

   Portugal, felizmente, é um país dotado de uma grande diversidade de recursos hídricos: seja na costa atlântica que o percorre a ocidente e a sul; seja na multiplicidade de rios, ribeiros e riachos que serpenteiam a nossa paisagem natural; nas múltiplas fontes que jorram em espaços naturais; ou nas diversas unidades aquíferas, que permitem a utilização das suas águas em atividades correntes ou em contexto de termalismo e saúde. Portugal dispõe ainda de uma boa quantidade de aquíferos que permitem a captação e comercialização da água, em larga escala, enquanto recurso económico.

   Não obstante, algumas zonas do país, particularmente nos períodos de menor precipitação, sofrem já a carestia deste bem essencial, quer para o consumo doméstico, quer para as atividades económicas do setor primário, com destaque para a agricultura e a pecuária. Isto verifica-se, particularmente, em zonas tendencialmente mais secas, como o Alentejo ou algumas zonas do Nordeste Transmontano. Sabendo-se ainda que, com as alterações climáticas, Portugal sofre, e virá a sofrer no futuro, um processo de diminuição de recursos hídricos, por via do aquecimento global, a que se somam igualmente os dramáticos incêndios, em cada verão, aliados à tendência para a monocultura do pinheiro bravo e do eucalipto - cujo efeito de retirada de água dos solos é bem conhecido - em detrimento de uma reflorestação assente na diversificação das espécies florestais, com recurso especial às espécies endógenas de cada região. Por tudo isto, necessitamos de uma especial atenção à gestão dos recursos hídricos verdadeiramente disponíveis e a uma gestão sustentável que assegure a sua viabilidade futura.


3. Neste Dia Mundial do Turismo, com o enfoque na atenção à água, como meio de proteger o nosso futuro comum[11], algumas atitudes nos são exigidas, seja no uso racional imediato deste bem indispensável, seja numa perspetiva de gestão dos recursos existentes, a fim de se assegurar a sua sustentabilidade futura. Assim, devemos, desde logo e em primeiro lugar, formar as novas gerações para o uso correto da água, consciencializando-as para a sua importância, numa séria e autêntica formação ambiental. Depois, cabe-nos valorizar todos os recursos hídricos existentes, usando-os com moderação e cuidando deles, da sua qualidade e salubridade. Neste sentido, impõe-se-nos um particular cuidado com todas as formas de poluição; com o uso indevido dos cursos de água e seu esbanjamento desnecessário; com o derrame de efluentes de origem industrial, ou mesmo de pequenas explorações agrícolas ou pecuárias, e respetiva contaminação de cursos de água que servem as populações; ou ainda um particular cuidado na conservação de aquíferos que possam servir de autênticos reservatórios para as necessidades futuras.

   De igual modo, o tratamento de esgotos e efluentes - felizmente uma prática mais comum nos vários municípios - permite a reutilização da água, particularmente para irrigação de jardins e espaços de cultivo, ou mesmo para descargas sanitárias. O mesmo se podendo aplicar à utilização das águas pluviais. Na verdade, o princípio tão difundido da reutilização bem se pode aplicar à água, recurso natural de primeira necessidade que devemos cuidar. Nesta perspetiva, ainda, a reutilização é possível, em sistemas de circularidade, quando a água é utilizada em contexto de arranjos urbanístico e de embelezamento de alguns espaços públicos.

   Cada vez mais, hoje, se utilizam dispositivos de controlo do consumo de água, passiveis de serem aplicados em contextos tão diversos como a hotelaria, a restauração e outros espaços de particular serviço à prática do turismo. Estes sistemas têm a vantagem de racionar o consumo de água, sem deixar de servir convenientemente os turistas ou visitantes.

   Especial atenção nos merece o mar, fonte de tantas possibilidades, na diversidade de recursos que coloca ao nosso alcance. Desde logo, a preservação das suas águas e dos seus ecossistemas marinhos deve ser preocupação cimeira, de autoridades e de turistas. Depois, o mar permite-nos o aproveitamento das suas águas, seja nos diversos contextos de recreio e balneares, seja em atividades de saúde, como os centros de talassoterapia, hoje cada vez mais divulgados.

   Particular cuidado nos deve merecer a floresta e as modalidades de reflorestação. A utilização de diversidade de espécies - com especial utilização das endógenas de cada região – é um bem que teremos de salvaguardar: para evitar fenómenos de desertificação e incrementar uma maior diversidade florestal, de que o turismo tanto pode beneficiar. É evidente que na atual gestão da floresta se sobrepõe um interesse económico imediato, com o recurso a manchas contínuas de espécies únicas e de crescimento mais rápido, a uma diversidade que enriqueça os solos, a paisagem, a própria preservação da floresta e, por consequência, o turismo. Portugal é um país verde; e muito terá a beneficiar desta diversidade.

   Sem pretender esgotar princípios e orientações de caracter técnico, que outros conhecerão em maior profundidade, cabe-nos aqui consciencializar para as múltiplas possibilidades ao nosso alcance na gestão dos recursos naturais e, em particular, dos recursos hídricos. O turismo será sempre responsável e beneficiário das medidas que possam ser tomadas no sentido de salvaguardar tais recursos. Da sua boa gestão e sustentabilidade dependerá, igualmente, a sustentabilidade da oferta turística.

   O turismo depende dos recursos hídricos e da sua qualidade. Valorizá-los é um ato de inteligência e de viabilidade futura. Por outro lado, o turismo faculta-nos a oportunidade de cuidar da nossa casa comum, de que depende, e de louvar, como o profeta, ao Deus Criador, que permanentemente nos oferece os Seus múltiplos dons, deixando brotar do íntimo do coração o louvor incessante: «todas as águas…bendizei o Senhor: louvai-O e exaltai-O para sempre» (Dn. 3, 60).

     
Luso, 25 de Setembro de 2013

Pe. Carlos Alberto da Graça Godinho

Diretor da Obra Nacional da Pastoral do Turismo (ONPT)

 



[1] Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes – Mensagem por ocasião do Dia Mundial do Turismo 2013: Turismo e água: proteger o nosso futuro comum. Cidade do Vaticano, 24 de Junho de 2013.
[2] Mircea Eliade – Tratado de História das Religiões. 1ª Ed. Porto: Edições Asa, 1992, p. 243.
[3] Ibidem, p. 243.
[4] Cf. Ibidem, p. 246.
[5] Voc. Água in AA.VV. – Dicionário Bíblico. Porto: Editorial Perpétuo Socorro, 1983, p. 16.
[6] Ibidem, p. 16. Cf. Carlos Alberto da Graça Godinho – Perspetivas para uma Pastoral das Termas. Ferragudo, 2010, p. 2.
[7] Cf. Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes – Mensagem por ocasião do Dia Mundial do Turismo 2013. Op. cit.
[8] Cf. Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes – Turismo e água: proteger o nosso futuro comum, op. cit.
[9] Vide nota nº 2.
[10] Cf. PAPA JOÃO PAULO II – Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial do Turismo 2002: Ecoturismo, chave do desenvolvimento sustentável. Vaticano, 24 de Junho de 2002, nº 3. Cf. Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes – Turismo e água: proteger o nosso futuro comum, op. cit.
[11] Cf. Organização Mundial do Turismo – Turismo e água: proteger o nosso futuro. In Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes – Mensagem por ocasião do Dia Mundial do Turismo 2013, op. cit.