Estudar permite-me conhecer outros «universos» que, caso o não fizesse, ficariam por percorrer!...Por esta razão tenho estado ausente. Logo que me seja possível, regressarei com algumas reflexões pessoais! Até lá!
Carlos Alberto Godinho
A República Portuguesa comemora hoje, 5 de Outubro de 2010, o seu primeiro Centenário. É, efectivamente, um regime político afirmado no tempo, capaz de compreender ainda outros tempos; tantos quantas as várias imagens de tal regime, em Portugal. De facto, a República Portuguesa não tem apenas um rosto; tem, pelo menos, três, coincidentes com a primeira República, com o período Ditatorial e com a experiência Democrática. Em Portugal, tal regime não é uma realidade homogénea, mas como que construído por diversos estratos temporais e ideológicos – a cada tempo correspondem ideias diferentes: revolução, ditadura, democracia! Não é meu intento deter-me, agora, sobre cada um deles, para estabelecer diferenças ou considerações específicas de cada qual; procurando antes – isso sim – olhar a globalidade da experiência Republicana em Portugal. Concretamente, para sublinhar três aspectos que assumo como questionamentos em aberto. Em primeiro lugar, afirma-se a República, na sua implantação inicial, como «a Revolução que foi proclamada por todo o povo antes ainda de decidida a última acção, ou se saber quem alcançaria a vitória…» (“As Constituições de 1911 e os seus Deputados” in Desdobrável Comemorativo do Centenário da República (1910 – 2010)). Se é certo que a Monarquia Constitucional e, particularmente, os seus últimos governos, passaram por graves dificuldades políticas e económicas, a verdade é que os movimentos de opinião republicanos apenas se manifestaram nas principais urbes (ainda que o Republicanismo se tivesse difundido pelas várias cidades do Reino), através de alguns letrados, muito especialmente afectos ao Partido Republicano Português (PRP). A generalidade do povo estava à margem dos processos ideológicos da época; pois, ou não os conhecia, ou simplesmente não os entendia. De resto, perseverava, no povo, uma mentalidade tradicional, conformada com a realidade existente. A República foi gizada e levada a cabo por um conjunto de ideólogos, da elite política e cultural, especialmente afectos aos ideais revolucionários, que se souberam servir da Maçonaria e da Carbonária (esta última derivada da primeira, com intuitos mais radicais, levando a cabo a acção armada, como havia acontecido já, dois anos antes, com o regicídio – cf. António Arnaut, Introdução à Maçonaria, pp. 69 - 70). O povo tanto gritaria pela República, como continuaria a aclamar o Rei, caso persistisse o regime Monárquico, entretanto decapitado (tal é confirmado, pouco antes do 5 de Outubro, pela passagem de D. Manuel II pelas terras Aveirenses, onde foi profundamente ovacionado e extremamente bem acolhido). O povo português, na sua maioria, era iletrado, ou mesmo analfabeto, o que o colocava à margem da decisão da causa pública. Aliás, a primeira República reconheceu-o, concedendo o direito de voto apenas aos minimamente letrados, num processo de restrição de participação cívica singular, face ao praticado anteriormente, na Monarquia Constitucional. De resto, uma inequívoca contradição do novo regime.
Na sequência de algumas opiniões publicadas, nos meios de comunicação, de um ou outro leigo, e mesmo dos nossos Bispos, referindo a legitimidade de a Igreja assumir a sua missão, a ênfase continua a colocar-se, não raro, no serviço social que a Igreja presta a nível nacional. É inequívoco este serviço; e seria catastrófico para o Estado se a Igreja se demitisse destas suas responsabilidades. Sem dúvida que não o fará, na justa medida em que esta acção se insere no cerne da sua vocação.
No intuito de propor algumas reflexões, que sirvam a uma renovada Pastoral das Termas, considerarei, na minha exposição, três aspectos que julgo cruciais para o seu desenvolvimento: a análise da Pastoral das Termas, segundo inquérito elaborado; as orientações da Igreja para a Pastoral do Turismo, em que as termas se inserem; e algumas orientações práticas, emanadas da mesma documentação, reflectidas pessoalmente e adaptadas às comunidades que compreendem espaços termais.
O Papa Bento XVI, na sua mensagem para o 44º Dia Mundial das Comunicações Sociais, chama a atenção dos presbíteros para as novas oportunidades de anúncio da Palavra de que hoje dispomos. Sem confundir meios com fins, o Papa é peremptório ao afirmar que o mundo digital «oferece ao sacerdote novas possibilidades para exercer o seu serviço à Palavra e da Palavra». Aliás, o Papa considera que estes novos meios são «desde há muito tempo» os «instrumentos ordinários através dos quais as comunidades eclesiais se exprimem», não apenas entrando em contacto mais fácil com as pessoas que as constituem, mas mesmo como «formas de diálogo mais abrangentes». O Papa não deixa, ainda, de insistir que «este é um dos caminhos onde a Igreja é chamada a exercer uma "diaconia da cultura" no actual "continente digital"». As palavras são elucidativas sobre a necessidade de, hoje, cruzarmos os limitados instrumentos das nossas comunicações e nos abrirmos a uma linguagem universal, com públicos diversificados, numa experiência muito mais vasta de possibilidades de proposta da Palavra. Não apenas de palavras, mas sim da Palavra. Daí que o Papa insista, também, que não basta estar no mundo digital apenas para marcar presença, mas sim com um verdadeiro sentido missionário, onde o presbítero faça «transparecer o seu coração de consagrado».
Os desenvolvimentos noticiosos a propósito dos casos de pedofilia na Igreja fizeram-me vir à memória o Evangelho do V Domingo da Quaresma, do presente ciclo litúrgico, que nos coloca perante a mulher adúltera e o Jesus misericordioso. Já por si seria elucidativa esta formulação, ainda que eu não seja favorável a qualquer forma de impunidade, quando ela, naturalmente, se justifica. Todavia, a justiça de Deus não deixa de ser diferente da dos homens – aquela visa eficazmente a verdadeira e total reabilitação do ser humano, sem se deter nos meandros dos seus limites ou das suas justificações.
Hoje chegou-me, via email, esta carta de Marcello Pera, Filósofo agnóstico, que dá que pensar. Pesem embora a multiplicidade de argumentos que possamos aduzir, esta Carta deve ser lida com inteligência. Tanto mais que qualquer mensagem do Papa, mesmo a homilia de Domingo de Ramos, não deixa de ser inserida num «pacote único» do qual a comunicação social não quer, deliberadamente, descolar-se (mesmo que distorcendo a mensagem ou fazendo perder o seu nexo!)