terça-feira, 8 de setembro de 2009

No Ano Sacerdotal!....

Ao procurar inteirar-me do que vai acontecendo no Ano Sacerdotal, e privilegiando a internet como fonte de informação - por ser um meio mais próximo e imediato - tenho-me deparado com algumas entrevistas feitas a alguns sacerdotes. Sem qualquer atitude crítica - quem seria eu para o fazer? - fica-me sempre uma sensação de algum vazio quando, na fundamentação da vocação sacerdotal, se sobrevaloriza a Igreja como instituição, a sua doutrina, a sua conduta, o seu projecto... Não porque discorde, no essencial, com a Igreja! Nada disso! Mas porque uma opção sacerdotal só acontece como fruto de um encontro vivo e profundo com uma Pessoa - Jesus Cristo! Só este encontro é catalizador de vivências, de energias, de disponibilidades para servir a Igreja, tal qual é e como desejamos - legitimamente - que seja! Quando o enfoque se coloca na instituição e não no verdadeiro fundamento - a Pedar Angular - fica-me a sensação de que «falta» alguma coisa. Não porque ajuize dos outros - repito; mas porque para mim esse é um fundamento relativamente débil; um suporte quantas vezes falível. Só Ele - na sua Pessoa e na graça que nos concede - tem a possibilidade de ser o esteio e a força de todos os momentos. Por outro lado, tão pouco o encontro com Cristo é um «dado» adquirido! Ao contrário, pressupõe uma descoberta e uma adesão contínua; um confronto e um acolhimento persistente da Sua Palavra e do Seu Espírito! E esta é a graça maior do Ano Sacerdotal - a convocação de cada sacerdote e, consequentemente, de cada presbitério, para o encontro com o Senhor da Messe, que chama, que confirma e que envia! O Ano Sacerdotal torna-se, então, uma graça inequívoca para cada um, porquanto é uma oportunidade de confirmação do chamamento à missão que um dia se aceitou abraçar!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Diáconos Permanentes!

A propósito da notícia, da Agência Ecclesia, que refere a ordenação de Diáconos Permanentes na Diocese de Aveiro, retomei o livro de Dionisio Boróbio, Ministérios Laicais, em que o autor, analisando a realidade presente da Igreja, afirma de modo clarividente: Quando a realidade se apresenta na sua crueza, de pouco valem os argumentos da razão, ou os esquemas previamente impostos, ou os modelos legalmente estabelecidos (1); para logo acrescentar, relativamente à vida das Comunidades: cada Comunidade deve possuir os ministérios que julgar necessários para cumprir a missão que Cristo lhe encomendou, de acordo com as possibilidades e as necessidades concretas. (2) É certo que o autor se está a referir a uma grande diversidade de ministérios - com enfoque, até, para os Ministérios Laicais. Todavia, no momento presente em que escasseiam as vocações sacerdotais (e a realidade se vai agravar ainda nos próximos tempos), como estamos a responder às necessidades das Comunidades Cristãs? O autor, a este propósito, não deixa de acrescentar também: os padres que há não só estão sobrecarregados de trabalho pastoral como se vêem praticamente obrigados a concentrar-se no cultual-sacerdotal (3). Além disso, escasseando, não permitem a vivência Eucarística, centro da vida cristã. Por isso - continua o autor - enquanto algumas paróquias ficam sem pastor, muitas pequenas comunidades eclesiais enchem-se de serviços e ministérios e reclamam um novo tipo de ministro (4).
É verdade que não estamos ainda em condições de repensar o ministério sacerdotal (a hora ainda não chegou); todavia, temos outras formas de responder a algumas das necessidades das nossas Comunidades Cristãs. A ordenação de Diáconos Permanentes (óbviamente, que não só!) é uma dessas formas. Por isso me parece que algumas Dioceses, como Aveiro (uma Diocese relativamente pequena), conseguem ter uma dinâmica de serviço muito mais apurada do que outras. Ao olhar, por exemplo, para esta nossa Diocese de Coimbra, devo dizer que vivo alguma «angústia» face ao futuro - das Comunidades e dos próprios padres! Não teremos nós também de encetar um novo caminho, mais dinâmico, como já há alguns anos soubemos fazer? Na verdade, fomos pioneiros com as Celebrações da Palavra! Como «reagimos» agora às exigências que se nos apresentam? Creio que o Espírito não nos faltará; e que fará surgir respostas novas para tempos novos! De momento, basta que sejamos mais céleres em dinamizar o que é possivel, para que o bem da Igreja, e as suas necessidades, nunca sejam postos em causa!

(1) Dionisio Boróbio, Ministérios Laicais, Porto, Editorial Perpétuo Socorro, 1991, p. 9.
(2) Ibidem, p. 13.
(3) Ibidem, p. 10.
(4) Ibidem, p. 11.

terça-feira, 14 de julho de 2009

A maior dificuldade pastoral!...

Por vezes julgamos que uma das maiores dificuldades pastorais é podermos contar com o número suficiente de pessoas para respondermos aos diversos serviços, próprios de uma Comunidade Cristã. Todavia, essa não é a maior dificuldade - por mais difícil que ela seja! A maior dificuldade pastoral é a capacidade de ajudar as pessoas a harmonizarem temperamentos; modos de entenderem a realidade e de a assumirem; e a serem capazes de construir, com sinceridade, projectos verdadeiramente comuns! Para tanto, algumas atitudes são absolutamente necessárias: em primeiro lugar a aceitação da legítima diferença (cada um é singular no seu ser e no seu agir! E é legítimo que assim seja!); depois, a capacidade de ser frontal, na caridade, não permitindo que os problemas se arrastem indefinidamente (viver a sábia e genuína correcção fraterna!); esta segunda atitude pressupõe uma condição essencialíssima - o verdadeiro diálogo (que não é arrazoado de imprecações, mas capacidade de verdadeira harmonização da diversidade, numa recta capacidade de pôr em comum perspectivas diversas de uma mesma realidade!); por fim, essa capacidade - tão cristã (e, por vezes, tão ausente!) - do perdão! Muitas outras atitudes, possívelmente, serão necessárias para um sério entendimento!... Mas se conseguirmos, todos nós, cristãos, cultivar estas que acabo de considerar, as nossas paróquias tornar-se-ão verdadeiras Comunidades Cristãs! E conseguirão viver, mínimamente, aquilo que São Paulo tão bem nos ensinou - que a caridade é o vínculo da perfeição! (cf. Cl. 3, 14).
Para isso, talvez tenhamos de regressar à simplicidade e humildade de crianças, como o Mestre afirmou: «Se não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus» (Mt. 18, 3).


OBS. Se lermos Cl. 3, 12 - 15, aí encontraremos algumas atitudes necessárias, capazes de nos conduzir à perfeição referida pelo Apóstolo!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Maló Clinic e o Luso!

A Sociedade da Água do Luso anunciou uma parceria com a Malo Clinic para a revitalização e posterior gestão das Termas de Luso, num investimento de três milhões de euros. Malo Clinic – Luso Spa Concept é a designação do projecto.
As duas organizações vão criar uma empresa cujo capital será detido em 51% pela Malo Clinic, e em 49% pela Sociedade da Água do Luso, que passa a ser parceiro no projecto, embora a responsabilidade da gestão fique a cargo da primeira. O prazo de implementação previsto é de 18 meses sendo que o complexo passará a funcionar 12 meses por ano.
O projecto de gestão e exploração das termas assenta em quatro áreas principais: termas, centro médico, fisioterapia, e Spa. Segundo comunicado, o modelo de exploração está agora dependente da aprovação pelo Estado, enquanto concedente da exploração das termas.
A apresentação do projecto decorreu no Luso, no Salão do Casino, tendo sido feita por Alberto da Ponte, Administrador da SAL, e por Paulo Malo, da Malo Clinic.
“Queremos oferecer maior qualidade de vida à comunidade do Luso através da aposta neste projecto de revitalização do destino histórico, que são as Termas de Luso” declarou Alberto da Ponte, Administrador da Sociedade da Água do Luso. “Por esse motivo, tomámos a decisão de nos tornarmos parceiros neste projecto e não apenas concessionários. É com muito orgulho que a Sociedade da Água de Luso, em associação com a Malo Clinic, pretende contribuir para o desenvolvimento da Indústria do Turismo e para o desenvolvimento económico da região, como resposta às novas tendências mundiais da procura turística no segmento de saúde e bem-estar.” – acrescentou.
Para Paulo Malo, Presidente e CEO da Malo Clinic, “esta parceria representa um passo de extrema importância para a nossa estratégia no âmbito do turismo de Saúde. A solidez e dimensão de ambas as empresas vão estar, sem dúvida, patentes no Malo Clinic - Luso Spa Concept, que será certamente um mega-sucesso na dinamização de um conceito totalmente revolucionário ao nível da gestão de saúde.”
01/04/2008
In Turisver


A ser assim, julgo que o futuro do Luso é promissor! Tanto mais que o empreendedorismo do Dr. Paulo Maló é profundamente reconhecido! Quem passar pelo sitio oficial da Maló Clinic verá como o seu conceito empresarial se estende já por todo o mundo (América do Norte, América do Sul, Europa, Ásia e África). Espero, e faço votos sinceros, que o investimento desta empresa no Luso seja um verdadeiro sucesso para o Grupo Empresarial e uma alavancagem capaz para estas terras de beleza e bem-estar!






quinta-feira, 2 de julho de 2009

Governo ou Eleitoralismo?

Hoje, na sequência das notícias da noite, senti-me indignado com as «vergonhosas» imagens do Parlamento Português! E não foi apenas com a atitude do Senhor Ministro da Economia - que se autocondenou com a encenação assumida; foi também com o Senhor Primeiro Ministro e com uma boa diversidade de parlamentares portugueses. As expressões usadas; as atitudes assumidas; o desrespeito mútuo... Vergonhoso! E tudo porquê? Porque estamos em período pré-eleitoral! Não me pareceu em qualquer intervenção efectuada que houvesse uma genuína preocupação com os Portugueses e o estado da Nação! Em discursos mais ou menos «encapotados» todos procuram tirar dividendos a seu favor. Isto é: procuram os interesses de partido e de posse de poder antes do verdadeiro serviço da causa pública! E o que acontece no Parlamento, no Governo e na oposição, transita para as nossas instâncias mais próximas, sejam autarquias, juntas de freguesia, etc, etc... Todo o discurso pende para um interesse particular, para um aumento de margem de «lucro» eleitoral, mesmo que aparentemente muito solícito da causa comum. Razão evidente para dizer que necessitamos de outros políticos! Estes não só não convencem, como enfastiam... Ou, como comecei por intuir: envergonham-nos! E bem gostaria de poder afirmar o contrário!....

domingo, 28 de junho de 2009

José Saramago e a intolerância religiosa!...

É incrível como um homem - culto; prémio nobel; com responsabilidades sociais acrescidas! - que é pretenso paladino da tolerância entre pessoas que constituem a mesma humanidade, consegue ser tão intolerante com os outros, quando partilham vivência espirituais e religiosas diferentes das suas!... É sobretudo curioso como se consegue ser tão contraditório - em nome da tolerância, defende-se o uniformismo, a impossibilidade de se assumir a diferença! Tudo isto vem a propósito da defesa acérrima que o escritor faz do total ateísmo, publicada no JN deste domingo. José Saramago não só defende um mundo completamente ateu, como não deixa de chamar «parasitas da sociedade» aos Bispos, Cardeais e até ao próprio Papa. Que defenda o ateísmo, compreenderei bem - insere-se (julgo!) nas suas mais profundas convicções! Agora, que não seja capaz de assumir que vive num mundo de diferenças ideológicas, religiosas e espirituais... já me custa a aceitar! Com que crédito podemos acolher as suas palavras quando estas se opõem às (más) relações entre religiões? Afinal, não é ele o primeiro a ser intolerante face à convicção dos outros? Ou será ele o iluminado; uma espécie de «messias» do ateísmo? Enfim... fique-nos a sua obra (que respeito quanto ao mérito!...), pois o seu pensamento não me supreende quanto ao conteúdo! Surpreende-me, sim, a sua contradição de discurso!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Celebração da Eucaristia!

Ao passar pelo Youtube, analisando algumas expressões da presença da Igreja na internet, encontrei um video denominado «A Missa do Papa Paulo VI». Outro objectivo não me pareceu ter senão escarnecer da ordenação litúrgica que adveio para a Igreja com o Vaticano II. Aliás, deve esclarecer-se que não existe nenhuma Missa de Paulo VI; existe, sim, a nova ordenação dos ritos litúrgicos definidos no Vaticano II e promulgados no pontificado deste Papa. Sem dúvida que muitos abusos litúrgicos têm ocorrido durante estes mais de quarenta anos após o Concílio. Eu sou o primeiro a reconhecê-lo! Recordo, a título de exemplo, uma celebração em que participei, em França, em 1989, que me deixou perplexo e a interrogar-me sobre a validade do sacramento assim celebrado. A Eucaristia, pela sua natureza, deve revestir-se de beleza, de dignidade, de verdadeira espiritualidade, para ajudar o crente a perceber o Mistério e a dispôr-se a celebrá-lo melhor. Mais ainda, deve revestir-se da dignidade própria que advém do reconhecimento da presença real de Jesus Cristo. Mas querer partir daqui para afirmar que a «única» e «verdadeira» Eucaristia é a que se celebra segundo o rito de São Pio V - anterior ao Vaticano II - é algo que excede toda a minha capacidade de compreensão e de aceitação. Na verdade, a Eucaristia, segundo o novo ordenamento, ganhou em sentido e imprimiu uma nova perspectiva à participação frutuosa dos cristãos. Mais ainda: enquanto expressão por excelência da comunhão entre irmãos no louvor do Único e Eterno Deus, ela expressa a verdadeira comunhão eclesial e é alimento da verdadeira identidade do cristão. Neste sentido, promover a efectiva e frutuosa participação de todos os cristãos na celebração central da sua fé é um dever inalienável da própria Igreja. Assim o refere a Sacrossantum Concilium do Vaticano II:
É por isso que a Igreja procura vivamente que os fiéis não assistam a este mistério de fé como estranhos e mudos espectadores, mas que, compreendendo-o bem através dos ritos e orações, participem na acção sagrada consciente, piedosa e animadamente, sejam instruídos na Palavra de Deus, se alimentem à mesa do Corpo do Senhor, dêem graças a Deus; ao oferecerem a hóstia imaculada, não só pelas mãos do sacerdote mas juntamente com ele, aprendam a oferecer-se a si mesmos e, dia após dia, por Cristo Mediador, aperfeiçoem-se na unidade com Deus e entre si, para que finalmente Deus seja tudo em todos. (S.C. 48)
Estranho que nos últimos tempos se vá afirmando, cada vez mais, uma ânsia de regresso ao passado; a um passado que privou desta participação frutuosa de todos os fiéis do dom da Eucaristia, de que nos fala o Concílio, querendo que ela regresse quase em exclusivo à acção do sacerdote. Este recuo -parece-me - seria infidelidade ao Espírito Santo; infidelidade aos direitos dos cristãos; e uma procura de uma nova «mistificação» da pessoa do sacerdote a partir do Mistério Eucarístico. A Eucaristia não é do sacerdote; é da Comunidade! Como o sacerdote não existe para si mesmo, senão para a Comunidade! Não tenhamos a tentação de privar de um direito fundamental cada cristão, que é destinatário, mas também agente e ministro - enquanto comunidade celebrante - da própria Eucaristia, reservando-a para o «espaço restrito» do clero. Seria, da nossa parte - sacerdotes - não apenas um retrocesso, mas uma verdadeira injustiça! Pela minha parte, tenho consciência de tudo fazer - quanto me é possível - para celebrar dignamente os Mistérios de Deus, que na Eucaristia se expressam tão profundamente, na oferta do Corpo e Sangue de Cristo! É um esforço que todos nós, sacerdotes, havemos de fazer! Mesmo até por uma reordenação do serviço pastoral. Havemos de nos questionar se devemos continuar a promover a quantidade ou se a qualidade das nossas celebrações. Peço a Deus, contudo, que não tenhamos a veleidade de reservarmos para nós o que o Senhor tão abundantemente a todos oferece. Espero sinceramente que este Ano Sacerdotal possa ajudar-nos a viver melhor o ministério que nos foi confiado, sem merecimento nenhuma da nossa parte; mas que o vivamos na fidelidade a Deus e aos homens, por quem Cristo, permanentemente, se oferece no Sacrifício Eucarístico!