sábado, 25 de outubro de 2008

«Desalento» Pastoral!

Hoje sinto um forte «desalento» pastoral. Perante desentendimentos no interior de uma Comunidade, vejo como existe uma enorme imaturidade por parte dos cristãos no sentido de assumirem responsávelmente a missão que lhes cabe. A missão advém do Baptismo e não apenas do ministério da Ordem. Este último está ao serviço da vitalidade de todos os baptizados, na linha da assunção desse mesmo baptismo - fora e no interior da Comunidade Cristã! A configuração com Cristo, no Sacramento da Ordem, surge numa linha eminentemente sacramental, enquanto dispensadora da graça de Deus, e não apenas numa linha de governo. Além disto, o que mais me «desalenta» é a incapacidade de alguns cristãos viverem na caridade, como é próprio de irmãos. Jesus não cessa de nos dizer: «o que vos mando é que vos ameis!» (Cf. Jo. 15, 17) E Paulo reforça esta mesma realidade central da vida cristã, ao afirmar: «Não devais a ninguém coisa alguma a não ser o amor mútuo, pois quem ama o próximo cumpre a lei» (Rom. 13, 8). É ainda Paulo que nos convida a viver uma verdadeira liberdade que resulta da caridade: «Vós irmãos, fostes chamados à liberdade. Não tomeis, porém, a liberdade como pretexto para servir a carne. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade, pois toda a Lei se encerra num só preceito: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo". Mas, se mutuamente vos mordeis e devorais, vede que não acabeis por vos destruirdes uns aos outros. (...) Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também segundo o Espírito. Não nos enchamos de vanglória, provocando-nos mútuamente, tendo inveja uns dos outros». (Gál. 5, 13 - 15. 25) E é ainda o mesmo Apóstolo que, numa espécie de resumo de toda a vida cristã, nos afirma: «Acima de tudo, revesti-vos da caridade que é o vínvulo da perfeição!» (Col. 3, 14), para logo rematar: «Resida nos vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados, a fim de formar um só corpo». (Col. 3, 15)
No Ano Paulino, estas palavras hão-de cair fundo nos nossos corações, de modo a que construamos verdadeiras Comunidades Cristãs. Que ele, o «apóstolo de todas as gentes», interceda por nós para que sejamos fiéis aos desígnios de Cristo, o Único Senhor!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Uma Cultura da Solidariedade!

Recupero aqui um excerto da Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, Crise de Sociedade, Crise de Civilização, datada de 26 /04 /2001. Julgo que todo o documento mantém uma excepcional actualidade. Este número 8 vem na linha do que escrevi anteriormente.

«Livre e responsável, a pessoa humana é chamada a ser solidária. A solidariedade é a expressão da dimensão comunitária da sociedade, em que o bem comum prevalece sobre o interesse particular, de indivíduos, grupos ou minorias, em que a partilha sublinha a fraternidade e o sentido de serviço inspira a convivência colectiva.
Uma das consequências do pragmatismo imediatista na busca das soluções é o acentuar de atitudes de individualismo, por vezes egoísta, de pessoas e de grupos, toldando a perspectiva do bem comum da sociedade e dando, por vezes, dimensão nacional a interesses de grupos, que pouco ou nada dizem ao conjunto do Povo português.
Precisamos de acentuar uma cultura da solidariedade, em que os direitos dos indivíduos cedam perante as exigências do bem comunitário, e a Nação apareça como comunidade de ideal, na análise dos problemas e na busca das soluções. Para os cristãos, o dever do amor fraterno é a base da solidariedade.» (nº 8)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Pobreza!

Neste tempo que é o nosso, em que seria legítimo esperar um maior bem estar para todos, a realidade é completamente inversa. A cada passo ouvimos falar de crise financeira, de recessão económica, de menor riqueza disponível... Mas, na verdade, são prioritáriamente os mais pobres, ou os que estão em vias de empobrecimento, quem mais sofre. Hoje, as notícias davam-nos conta do aumento do desemprego, de piores condições de vida, de menor capacidade de dar resposta às necessidades mais elementares que se colocam a cada pessoa e a cada família. Numa escala global, é neste quadro que aumenta o número de pessoas que viverão com menos de dois euros por dia. Encontramos aqui, pois, um desafio acrescido à luta pela justiça; a uma nova ordem económica e social; a uma maior justiça na distribuição dos bens. É aqui, também, que surgem apelos profundos ao nosso sentido de solidariedade, de partilha e de sentido do outro. Para os cristãos, aumenta o desafio à vivência da verdadeira caridade. Este tempo traz-nos novos desafios: num mundo globalizado, temos de globalizar a justiça e a partilha.
É neste quadro que cito, a título de desafio, o belo poema de José Régio, intitulado Pobres. Não é expressão apenas de ontem. Antes fora! Mas, infelizmente, é expressão que ganha sentido nos dias de hoje.
Talvez nos mova a ser mais gratos pelo «pão de cada dia», ao mesmo tempo que nos desafia a lutarmos pelo «pão nosso» - um pão que não falte, como devido, a qualquer um dos nossos irmãos.



Pobres

O Sol fundira em oiro a névoa fria;
Num banho de oiro, a Terra jaz, prostrada;
Um velho lamuria ao rés da estrada,
E eu louvo o dom da luz de cada dia.

Já, no céu roxo, o Sol, que ardeu, se esfria;
Cai, no silêncio, a tarde repousada;
Sinistro, um velho estende a mão gelada,
E eu louvo o dom do pão de cada dia.

No ar molhado e absorto, ascende a Lua;
Roçam-me alguns que dormirão na rua...
E eu louvo o dom dum tecto e uma candeia.

... Até que fala Alguém a quem não minto:
E o meu louvor de tais meus dons, - o sinto
Mais miserável que a miséria alheia!

(José Régio, Pobres in Poesia I, INCM, p. 136)








sábado, 18 de outubro de 2008

Amizade!

Achei muito belo este pensamento, que deixo aqui, em jeito de partilha! Assim é....

«A viagem mais importante que podemos fazer na vida é encontrar pessoas pelo caminho.»


(Autor desconhecido)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O Dom da Família!

Hoje, ao passar pela experiência dolorosa de ver partir para a eternidade um familiar próximo - uma tia, irmã de meu pai - e de partilhar a dor de meus primos e tio, senti como é tão importante aproveitar cada dia para cultivar o dom da família que nos foi dada; família que - sabemo-lo - é sempre «limitada» no tempo da nossa existência. É certo que acreditamos numa comunhão e presença que nos projecta para além desta vida. Todavia, o dom da família é uma graça que nos é dada aqui, nos limites da nossa existência histórica.
Enquanto conduzia, de regresso às paróquias, detinha-me nos meus pensamentos e na consciência da «voracidade» do tempo - os pais e tios em idade provecta; os pequenos sobrinhos e primos que deixam de ser crianças para se tornarem adolescentes e jovens; e nós próprios, eu e meus irmãos, confrontados com uma maturidade que pareceu surgir depressa demais... É verdade: o tempo não cessa de passar!...
De modo a que não nos deixe a sensação de vazio, há que viver cada momento na comunhão com aqueles que nos são queridos. Se adiamos para amanhã, esse amanhã pode ser tardio. Senti, como poucas vezes, o receio da perda! Mas senti, essencialmente, o quanto amo aqueles que Deus me deu, ou a quem Deus me deu, numa «urgência» interior de expressar hoje o amor que não posso adiar para o indicifrável amanhã! Tanto mais, que esta é uma das nossas maiores riquezas - a Família!
No meio da dor partilhada, foi bom experimentar como o reencontro com tantos que fazem parte de nós nos enriquece tão profundamente! É que na verdade a vida desencontra-nos! E o reencontro refaz-nos nessa comunhão tão bela que nos faz sentir pertença de alguém!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Programa Pastoral 2008 / 2009

Está já disponível no blog da Unidade Interparoquial de Luso e Pampilhosa, em http://luso-pampilhosa.blogspot.com o Programa Pastoral para este ano de 2008 / 2009. Apresenta-se uma primeira versão descritiva e uma segunda de operacionalização do programa. Fica, assim, disponivel para consulta e aberto a outros contributos e sugestões. Este é, efectivamente, o meio mais fácil de o divulgar.
Abraço a todos.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Novo Blog!

A partir de agora modero um novo blog: «Unidade Interparoquial de Luso e Pampilhosa». É um espaço aberto à participação de todos os que o desejarem. De um modo particular, é um espaço aberto a todos os membros das duas Comunidades Paroquiais.
O endereço é: http//luso-pampilhosa.blogspot.com