segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Pobreza!

Neste tempo que é o nosso, em que seria legítimo esperar um maior bem estar para todos, a realidade é completamente inversa. A cada passo ouvimos falar de crise financeira, de recessão económica, de menor riqueza disponível... Mas, na verdade, são prioritáriamente os mais pobres, ou os que estão em vias de empobrecimento, quem mais sofre. Hoje, as notícias davam-nos conta do aumento do desemprego, de piores condições de vida, de menor capacidade de dar resposta às necessidades mais elementares que se colocam a cada pessoa e a cada família. Numa escala global, é neste quadro que aumenta o número de pessoas que viverão com menos de dois euros por dia. Encontramos aqui, pois, um desafio acrescido à luta pela justiça; a uma nova ordem económica e social; a uma maior justiça na distribuição dos bens. É aqui, também, que surgem apelos profundos ao nosso sentido de solidariedade, de partilha e de sentido do outro. Para os cristãos, aumenta o desafio à vivência da verdadeira caridade. Este tempo traz-nos novos desafios: num mundo globalizado, temos de globalizar a justiça e a partilha.
É neste quadro que cito, a título de desafio, o belo poema de José Régio, intitulado Pobres. Não é expressão apenas de ontem. Antes fora! Mas, infelizmente, é expressão que ganha sentido nos dias de hoje.
Talvez nos mova a ser mais gratos pelo «pão de cada dia», ao mesmo tempo que nos desafia a lutarmos pelo «pão nosso» - um pão que não falte, como devido, a qualquer um dos nossos irmãos.



Pobres

O Sol fundira em oiro a névoa fria;
Num banho de oiro, a Terra jaz, prostrada;
Um velho lamuria ao rés da estrada,
E eu louvo o dom da luz de cada dia.

Já, no céu roxo, o Sol, que ardeu, se esfria;
Cai, no silêncio, a tarde repousada;
Sinistro, um velho estende a mão gelada,
E eu louvo o dom do pão de cada dia.

No ar molhado e absorto, ascende a Lua;
Roçam-me alguns que dormirão na rua...
E eu louvo o dom dum tecto e uma candeia.

... Até que fala Alguém a quem não minto:
E o meu louvor de tais meus dons, - o sinto
Mais miserável que a miséria alheia!

(José Régio, Pobres in Poesia I, INCM, p. 136)








sábado, 18 de outubro de 2008

Amizade!

Achei muito belo este pensamento, que deixo aqui, em jeito de partilha! Assim é....

«A viagem mais importante que podemos fazer na vida é encontrar pessoas pelo caminho.»


(Autor desconhecido)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O Dom da Família!

Hoje, ao passar pela experiência dolorosa de ver partir para a eternidade um familiar próximo - uma tia, irmã de meu pai - e de partilhar a dor de meus primos e tio, senti como é tão importante aproveitar cada dia para cultivar o dom da família que nos foi dada; família que - sabemo-lo - é sempre «limitada» no tempo da nossa existência. É certo que acreditamos numa comunhão e presença que nos projecta para além desta vida. Todavia, o dom da família é uma graça que nos é dada aqui, nos limites da nossa existência histórica.
Enquanto conduzia, de regresso às paróquias, detinha-me nos meus pensamentos e na consciência da «voracidade» do tempo - os pais e tios em idade provecta; os pequenos sobrinhos e primos que deixam de ser crianças para se tornarem adolescentes e jovens; e nós próprios, eu e meus irmãos, confrontados com uma maturidade que pareceu surgir depressa demais... É verdade: o tempo não cessa de passar!...
De modo a que não nos deixe a sensação de vazio, há que viver cada momento na comunhão com aqueles que nos são queridos. Se adiamos para amanhã, esse amanhã pode ser tardio. Senti, como poucas vezes, o receio da perda! Mas senti, essencialmente, o quanto amo aqueles que Deus me deu, ou a quem Deus me deu, numa «urgência» interior de expressar hoje o amor que não posso adiar para o indicifrável amanhã! Tanto mais, que esta é uma das nossas maiores riquezas - a Família!
No meio da dor partilhada, foi bom experimentar como o reencontro com tantos que fazem parte de nós nos enriquece tão profundamente! É que na verdade a vida desencontra-nos! E o reencontro refaz-nos nessa comunhão tão bela que nos faz sentir pertença de alguém!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Programa Pastoral 2008 / 2009

Está já disponível no blog da Unidade Interparoquial de Luso e Pampilhosa, em http://luso-pampilhosa.blogspot.com o Programa Pastoral para este ano de 2008 / 2009. Apresenta-se uma primeira versão descritiva e uma segunda de operacionalização do programa. Fica, assim, disponivel para consulta e aberto a outros contributos e sugestões. Este é, efectivamente, o meio mais fácil de o divulgar.
Abraço a todos.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Novo Blog!

A partir de agora modero um novo blog: «Unidade Interparoquial de Luso e Pampilhosa». É um espaço aberto à participação de todos os que o desejarem. De um modo particular, é um espaço aberto a todos os membros das duas Comunidades Paroquiais.
O endereço é: http//luso-pampilhosa.blogspot.com

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Matrimónio e Família!

Há dias referia aqui Lipovetsky, na sua concepção de pós-modernidade, autor que nos diz que a sociedade hodierna - pós-moderna - exacerbou princípios como são o individualismo, o consumismo e a ética hedonista. Cito-o, também, no Plano Pastoral que elaborei para as Comunidades Paroquiais que me estão confiadas. Duas realidades actuais que manifestam este individualismo e esta ética hedonista são o matrimónio e as «novas» concepções de família, em que a sociedade se baseia. Na verdade, tudo assenta no sentimento ténue, numa desresponsabilização face a um projecto, que comporta um compromisso face ao outro e face à sociedade. Não pretendo aqui, todavia, analisar detalhadamente o assunto. Sinto - e por isso o assumi no contexto de planificação pastoral! - que o matrimónio e a família necessitam de uma atenção especial por parte dos cristãos. De umo modo claro, hoje, mais que nunca, os casais cristãos são chamados a testemunhar uma outra conjugalidade e um outro sentido de família. Há pouco, visualizando o video-reportagem que abriu o «Prós e Contras» sobre a problemática da lei do divórcio, reparava no dado seguinte: em cada 100 matrimónios, 48 desfazem-se. Isto é, quase 50% dos casamentos são desfeitos. Pergunto-me (e deixo a questão em aberto, para quem quiser responder!): que futuro para o matrimónio? Que futuro para a família? Que futuro para uma sociedade estável? Que futuro para testemunho das famílias cristãs?

OBS. Não pretendo aqui fazer valer, a todo o custo, uma estrutura que muitos dizem ter sofrido uma «evolução». Tão pouco defendo a «estrutura familar» na sua aparência. Acredito que ela é basilar para o equilíbrio pessoal dos cônjuges; para o equilíbrio afectivo, psicológico e social dos filhos; e para o equilíbrio das sociedades. Não é uma vontade de permanência que me move, mas sim uma verdadeira convicção. Já agora, fica, como imagem a ilustrar esta postagem, a capa de um livro que procura salvar a união comjugal. Não conheço o livro; achei curioso o título! Talvez um desafio para os casais cristãos!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

A Nova Lei do Divórcio!

Acabo de ver o debate sobre a nova lei do Divórcio, no programa «Prós e Contras». Entre argumentos e contra argumentos (nem sempre tão serenos quanto se deveria esperar, como sinal de realidade amadurecida!), acabo por concluir que a nossa vida em sociedade tem cada vez menos consistência. Isto é: cada vez mais o nosso viver conjunto assenta num mero sentimento pessoal, relegando para segundo plano a dimensão do compromissos assumido; a noção do dever para com o outro. Não me manifesto quanto às virtualidades e defeitos da nova lei. De resto, nem sou jurista, nem tive oportunidade de ler a nova proposta. Parece-me é que o conceito de base, que suporta uma relação, assenta cada vez mais num sentimento e menos num compromisso das partes. Com esta nova concepção, vem ao de cima o conceito de amor assumido pelo comum da sociedade. Será o amor um simples sentimento? Não será também uma exigência de doação e de construção da relação com o outro? Em que valores se fundamenta a união matrimonial?
Bem... a discussão será vasta... Mas parece-me que a nossa vivência social assenta cada vez mais numa visão hedonista da vida, em que o sentido de compromisso, de dever, a noção de exigência como forma de constutir uma vida verdadeiramente humana, são postergados para uma concepção passadista que nada tem a ver com a modernidade. Não sei se a breve trecho não viremos a ser as vítimas desta fragilidade em que fazemos assentar as nossas vidas em comum...