terça-feira, 8 de julho de 2008

Ano Paulino - Reflexão Pessoal!

Para assinalar os dois mil anos do nascimento do Apóstolo Paulo, o Papa Bento XVI convocou a Igreja a viver um Ano Paulino, iniciado no passado dia 29 de Junho – Solenidade de São Pedro e São Paulo –, prolongando-se até á mesma Solenidade do próximo ano de 2009. O objectivo é o de nos pôr em contacto com o modelo de Apóstolo que foi São Paulo e com os seus escritos. Neste sentido, o Ano Paulino é um forte convite a uma conversão pessoal, pela adesão à pessoa de Jesus Cristo; à compreensão da doutrina cristã, de que Paulo foi o primeiro sistematizador nas suas Cartas; e à vivência da Evangelização de todos os povos, de que o Apóstolo é exemplo ímpar, na sua acção missionária.
Ao iniciar nas Comunidades Paroquiais, em comunhão com toda a Igreja, este Ano Jubilar, defini três propostas, recolhidas da vivência do Apóstolo Paulo: a total adesão a Jesus Cristo; o testemunho da fé; a urgência da evangelização.
Necessitamos de redescobrir o centro e fundamento da nossa vivência cristã: a pessoa de Jesus Cristo. Paulo, fazendo a experiência íntima de comunhão com o Senhor, sintetiza toda a sua vida pessoal e de evangelizador, na expressão dirigida à comunidade de Filipos: «Para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro!» (Fl. 1, 21). De modo algum podemos entender de outro modo esta expressão de Paulo senão no seu verdadeiro sentido – Jesus, o Cristo, é o centro de gravidade de toda a vida do Apóstolo, no presente e no futuro. Com ele havemos, portanto, de fazer esta aprendizagem da vida cristã: centrados em Cristo, «Pedra Angular», construir toda a nossa existência a partir deste mesmo centro de gravidade.
Mas, contrariando uma certa vivência do presente, tendente a reservar as convicções cristãs para o foro íntimo, havemos de nos deixar desafiar pelo Apóstolo a testemunhar Cristo com a própria vida. A deixar que, a partir de nós, irradie para o mundo a Esperança que não passa. É nesta lógica que Paulo nos adverte, em tom de celebração, como fazia aos Tessalonicenses: «Vós fizestes-vos imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra em plena tribulação, com a alegria do Espírito Santo, de tal modo que vos tornastes um modelo para todos os crentes na Macedónia e na Acaia» (1Ts. 1, 6 – 7). Esta palavra torna-se para nós desafio a sermos testemunhas de Cristo no tempo presente e no espaço a que somos enviados.
Centrado no essencial da vida da Igreja, Paulo convida-nos a rejuvenescer em nós – pessoal e comunitariamente – a missão que cabe precisamente a toda a Igreja: a Evangelização! Por isso exclama: «Ai de mim se não evangelizar!» (1 Cor. 9, 16). Mas não o faz como título de glória pessoal, antes consciente do seu dever apostólico. Por isso antecede esta expressão uma outra clarificadora: «Se eu anuncio o Evangelho, não é para mim um título de glória. É antes uma obrigação que me está imposta!» (1 Cor. 9, 16).
Paulo, na sua riqueza de pessoa e de Apóstolo, é um convite exemplar a assumirmos a nossa identidade e missão de cristãos! Que o Espírito Santo de Deus, força sem a qual nada é possível, como o próprio Apóstolo afirma - «Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a acção do Espírito Santo» (1 Cor. 12, 3) – nos dê a graça de vivermos este «Santo Ano» como dom e como oferta. Dom de Deus, a cada um de nós; oferta nossa de uns para com os outros!

Pe. Carlos Alberto da Graça Godinho

sábado, 5 de julho de 2008

Sacerdócio e Palavra!...

Aqui está um magnífico texto, de São João Crisóstomo, sobre o sacerdócio e a palavra! No fio do tempo... há que recolher o que o tempo nos legou, para dar novo alento ao que o futuro nos exige!
Além das obras, que são um bom exemplo, o ministério sacerdotal não conhece outro método para curar que não seja o ensino da palavra. Só a palavra lhe serve de instrumento, de alimento, de ar sadio. A palavra é o remédio que ele administra, o fogo de que ele se serve para queimar, a espada com que ele corta, e não dispõe de mais nenhuma... Se este meio não surtir efeito, tudo o mais será vão... Por isso é tão importante prestar atenção a que a palavra de Cristo habite em nós com abundância...

S. João Crisóstomo, Diálogo sobre o sacerdócio, Livro IV.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Oração em silêncio!

Achei curioso este texto de Santo Ambrósio de Milão, sobre a oração em silêncio, que partilho convosco:

Procuremos saber as vantagens, os motivos, porque se reza melhor em segredo do que em altos brados... Se pedes a alguém que te presta logo atenção, percebes que não é preciso gritar. Pedes brandamente e em tom moderado. Se, porém, te diriges a alguém que é surdo, então começas a gritar... Quem grita, imagina que Deus não ouve bem... Quem, ao contrário, reza em silêncio, dá provas e reconhece de que Deus perscruta o coração e os rins e de que escuta a tua oração antes mesmo de ela sair da tua boca...

Ambrósio de Milão, Os Sacramentos, Livro VI.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Ordenação Episcopal! - Fotos II


Esta é uma foto de particular sensibilidade humana - um dos Padres que partilhou o ministério com o seu Bispo, assumindo o desígnio de desenvolver em Coimbra a missão da Igreja, é abraçado como irmão no Episcopado pelo, até ali, seu Bispo Diocesano; e, na sua ordenação Episcopal, seu consagrante. Se é grande o mistério sacramental da transmissão do poder da ordem, há nesta foto, também, uma dimensão humana que nos enriquece e nos faz perceber a comunhão íntima que estamos chamados a construir! É, tão só, mais um registo! E belo, por sinal!

Procura da Sabedoria!...




"Dominar a força é vencer; dominar a sabedoria é governar!"


"A Dança", Ramalho Ortigão, Histórias Cor-de-Rosa.

terça-feira, 1 de julho de 2008

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Ordenação Episcopal!

Após a Ordenação Espiscopal de D. João Lavrador, retenho aqui três impressões pessoais: 1. A beleza da celebração; 2. A acção do novel Bispo, a nível diocesano; 3. Ao lado do ganho para a Igreja em Portugal, o sentimento de perda para a Diocese de Coimbra.

1. A celebração da Ordenação Episcopal recolhe o seu sentido profundo do significado do múns pastoral dos Bispos, da sua especificidade teológica e do mistério que se realiza mediante os sinais sacramentais. Todavia, sem querer hipervalorizar a dimensão exterior da celebração, havemos de reconhecer que ela se revestiu de sinais humanamente, ritualmente e simbólicamente belos. Partilhei-os com alguma emoção, particularmente quando o novo Bispo (emocionado!) tomou lugar entre os Bispos; quando, no abraço da paz, cumprimentou a sua família; e quando, pela primeira vez, como pastor, dispensou a benção de Deus à vasta assembleia que enchia a Sé Catedral. Mas, para quem, como eu, estuda o Cabido da Sé de Coimbra (neste caso no século XVIII), ver o candidado ao Episcopado a entrar na Sé, paramentado de batinha arroxeada, de roquete branco e de romeira da cor da batina, ladeado dos Cónegos da Sé, fez-me recuar no tempo e imaginar a expressão da mesma Corporação quando um dos seus era elevado ao Episcopado - realidade pela qual muito se lutava entre Cabidos, como forma de engrandecimento de toda a Corporação. Uniram-se, na minha consciência, o presente e o passado. E achei interessante como os sinais são importantes na dignificação de um acto. Além deste - de longe o menos importante -, assumiram grande expressividade a entrega do Evangeliário, do anel, da mitra e do báculo. Momentos altos foram, naturalmente, a oração de consagração, com o Evangeliário aberto sobre a cabeça do Ordinando e a unção na testa, com o óleo do Santo Crisma. Sinais expressivos, pelos quais chegamos à beleza do Mistério. E sinais dignificados, como esteve patente nesta Ordenação.

2. Destes últimos anos de exercício do ministério Presbiteral, ressalvo da acção do Sr. D. João Lavrador, duas realidades: o incremento da Pastoral Universitária e a a coordenação da acção pastoral, como Pró-Vigário Geral. Da primeira, retenho a sua capacidade de trabalho em equipa e a promoção dos diversos sectores de acção pastoral para o Ensino Superior. Com ele renasceu o antigo CADC; com ele se iniciou o SPES; com ele o Justiça e Paz tornou-se espaço de encontro mais alargado. Mas na verdade, tudo se deveu à sua capacidade de coordenar, de incentivar, de responsabilizar; mais do que fazer. Realizava as tarefas da sua competência, mas soube atrair para o âmbito da actividade da Pastoral do Ensino Superior um bom grupo de Professores Universitários; de alunos das diversas Faculdades; bem como responsabilizar algumas pessoas em sectores específicos. Foi um verdadeiro trabalho de comunhão. Testemunhei-o na minha frequente passagem pelo Instituto, no contacto com ele e com alguns membros dos vários serviços. Tanto mais que, alguns deles, membros fundadores do SPES, por exemplo, foram meus colegas de curso. Além deste trabalho de comunhão, a delicadeza no trato, o acolhimento e a palavra amiga para com quem ia ao Instituto, particularmente à hora de almoço, foram um contributo quotidiano para a dinamização daquele espaço. Também aqui experimentei a riqueza das conversas com alguns professores, naquelas que - como referia, em tom afável, o Sr. Professor Barbosa de Melo - eram classificadas como «tertúlias eclesiásticas»; isto porque reuniam dois ou três sacerdotes, mas que nunca foram espaços fechados. Foi, para mim, uma outra experiência de relação humana que complementou a riqueza do espaço universitário.
Na sua actividade como Pró-Vigário Geral, destaco a competência e empenho do Sr. D. João Lavrador na coordenação das diversas actividades diocesanas. Fica-nos a memória última das assembleias de avaliação pastoral; mas também a formação do clero; ou ainda o Conselho Presbiteral, entre tantas outras acções. Não duvido em dizer que, a nível pastoral, foi o braço direito do Pastor da Diocese.

3. Agora que parte, fica-nos - o que é natural! - uma sensação de algum «vazio». Experimentava-o hoje, ao reflectir sobre o dia de ontem e sobre a minha despedida final. Fica, por outro lado, a «inquietação» perante um presbitério em que não abunda este traquejo de acção dinamizadora da vida pastoral. Digo-o, certamente, porque nos habituámos a uma figura; porque faltando este há agora um espaço ainda vazio. É necessário que o Pastor Diocesano, na realização da sua missão, saiba escolher quem possa retomar este serviço de coordenação e dinamização pastoral. Certamente que alguns valores existem ao nível do presbitério - com a formação necessária; com a lucidez requerida; e com competências a desenvolver. Também hoje (e faço-o livremente como membro do presbitério!) me passavam pela cabeça alguns nomes. Na verdade, a Diocese tem de investir na formação dos seus padres. E quando investe deverá contar com eles para o serviço de que carece! Também aí é necessária lucidez: para formar e pedir que se ponha a render a formação feita!
Como a vida se faz de realidades sempre novas, uma outra página, em linha de continuidade, se abre diante de nós na história desta «mais que secular» Diocese de Coimbra; sempre capaz de responder (com maiores ou menores dinamismos!) às exigências da sua missão e de cada tempo! E esta é a beleza de cada Igreja Particular no dinamismo deste mesmo tempo: ver como ela, com maiores ou menores rasgos, é chamada a instaurar o Reino de Deus já presente e a encaminhar-nos, como Igreja peregrina, para a sua consumação final!