sábado, 5 de julho de 2008

Sacerdócio e Palavra!...

Aqui está um magnífico texto, de São João Crisóstomo, sobre o sacerdócio e a palavra! No fio do tempo... há que recolher o que o tempo nos legou, para dar novo alento ao que o futuro nos exige!
Além das obras, que são um bom exemplo, o ministério sacerdotal não conhece outro método para curar que não seja o ensino da palavra. Só a palavra lhe serve de instrumento, de alimento, de ar sadio. A palavra é o remédio que ele administra, o fogo de que ele se serve para queimar, a espada com que ele corta, e não dispõe de mais nenhuma... Se este meio não surtir efeito, tudo o mais será vão... Por isso é tão importante prestar atenção a que a palavra de Cristo habite em nós com abundância...

S. João Crisóstomo, Diálogo sobre o sacerdócio, Livro IV.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Oração em silêncio!

Achei curioso este texto de Santo Ambrósio de Milão, sobre a oração em silêncio, que partilho convosco:

Procuremos saber as vantagens, os motivos, porque se reza melhor em segredo do que em altos brados... Se pedes a alguém que te presta logo atenção, percebes que não é preciso gritar. Pedes brandamente e em tom moderado. Se, porém, te diriges a alguém que é surdo, então começas a gritar... Quem grita, imagina que Deus não ouve bem... Quem, ao contrário, reza em silêncio, dá provas e reconhece de que Deus perscruta o coração e os rins e de que escuta a tua oração antes mesmo de ela sair da tua boca...

Ambrósio de Milão, Os Sacramentos, Livro VI.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Ordenação Episcopal! - Fotos II


Esta é uma foto de particular sensibilidade humana - um dos Padres que partilhou o ministério com o seu Bispo, assumindo o desígnio de desenvolver em Coimbra a missão da Igreja, é abraçado como irmão no Episcopado pelo, até ali, seu Bispo Diocesano; e, na sua ordenação Episcopal, seu consagrante. Se é grande o mistério sacramental da transmissão do poder da ordem, há nesta foto, também, uma dimensão humana que nos enriquece e nos faz perceber a comunhão íntima que estamos chamados a construir! É, tão só, mais um registo! E belo, por sinal!

Procura da Sabedoria!...




"Dominar a força é vencer; dominar a sabedoria é governar!"


"A Dança", Ramalho Ortigão, Histórias Cor-de-Rosa.

terça-feira, 1 de julho de 2008

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Ordenação Episcopal!

Após a Ordenação Espiscopal de D. João Lavrador, retenho aqui três impressões pessoais: 1. A beleza da celebração; 2. A acção do novel Bispo, a nível diocesano; 3. Ao lado do ganho para a Igreja em Portugal, o sentimento de perda para a Diocese de Coimbra.

1. A celebração da Ordenação Episcopal recolhe o seu sentido profundo do significado do múns pastoral dos Bispos, da sua especificidade teológica e do mistério que se realiza mediante os sinais sacramentais. Todavia, sem querer hipervalorizar a dimensão exterior da celebração, havemos de reconhecer que ela se revestiu de sinais humanamente, ritualmente e simbólicamente belos. Partilhei-os com alguma emoção, particularmente quando o novo Bispo (emocionado!) tomou lugar entre os Bispos; quando, no abraço da paz, cumprimentou a sua família; e quando, pela primeira vez, como pastor, dispensou a benção de Deus à vasta assembleia que enchia a Sé Catedral. Mas, para quem, como eu, estuda o Cabido da Sé de Coimbra (neste caso no século XVIII), ver o candidado ao Episcopado a entrar na Sé, paramentado de batinha arroxeada, de roquete branco e de romeira da cor da batina, ladeado dos Cónegos da Sé, fez-me recuar no tempo e imaginar a expressão da mesma Corporação quando um dos seus era elevado ao Episcopado - realidade pela qual muito se lutava entre Cabidos, como forma de engrandecimento de toda a Corporação. Uniram-se, na minha consciência, o presente e o passado. E achei interessante como os sinais são importantes na dignificação de um acto. Além deste - de longe o menos importante -, assumiram grande expressividade a entrega do Evangeliário, do anel, da mitra e do báculo. Momentos altos foram, naturalmente, a oração de consagração, com o Evangeliário aberto sobre a cabeça do Ordinando e a unção na testa, com o óleo do Santo Crisma. Sinais expressivos, pelos quais chegamos à beleza do Mistério. E sinais dignificados, como esteve patente nesta Ordenação.

2. Destes últimos anos de exercício do ministério Presbiteral, ressalvo da acção do Sr. D. João Lavrador, duas realidades: o incremento da Pastoral Universitária e a a coordenação da acção pastoral, como Pró-Vigário Geral. Da primeira, retenho a sua capacidade de trabalho em equipa e a promoção dos diversos sectores de acção pastoral para o Ensino Superior. Com ele renasceu o antigo CADC; com ele se iniciou o SPES; com ele o Justiça e Paz tornou-se espaço de encontro mais alargado. Mas na verdade, tudo se deveu à sua capacidade de coordenar, de incentivar, de responsabilizar; mais do que fazer. Realizava as tarefas da sua competência, mas soube atrair para o âmbito da actividade da Pastoral do Ensino Superior um bom grupo de Professores Universitários; de alunos das diversas Faculdades; bem como responsabilizar algumas pessoas em sectores específicos. Foi um verdadeiro trabalho de comunhão. Testemunhei-o na minha frequente passagem pelo Instituto, no contacto com ele e com alguns membros dos vários serviços. Tanto mais que, alguns deles, membros fundadores do SPES, por exemplo, foram meus colegas de curso. Além deste trabalho de comunhão, a delicadeza no trato, o acolhimento e a palavra amiga para com quem ia ao Instituto, particularmente à hora de almoço, foram um contributo quotidiano para a dinamização daquele espaço. Também aqui experimentei a riqueza das conversas com alguns professores, naquelas que - como referia, em tom afável, o Sr. Professor Barbosa de Melo - eram classificadas como «tertúlias eclesiásticas»; isto porque reuniam dois ou três sacerdotes, mas que nunca foram espaços fechados. Foi, para mim, uma outra experiência de relação humana que complementou a riqueza do espaço universitário.
Na sua actividade como Pró-Vigário Geral, destaco a competência e empenho do Sr. D. João Lavrador na coordenação das diversas actividades diocesanas. Fica-nos a memória última das assembleias de avaliação pastoral; mas também a formação do clero; ou ainda o Conselho Presbiteral, entre tantas outras acções. Não duvido em dizer que, a nível pastoral, foi o braço direito do Pastor da Diocese.

3. Agora que parte, fica-nos - o que é natural! - uma sensação de algum «vazio». Experimentava-o hoje, ao reflectir sobre o dia de ontem e sobre a minha despedida final. Fica, por outro lado, a «inquietação» perante um presbitério em que não abunda este traquejo de acção dinamizadora da vida pastoral. Digo-o, certamente, porque nos habituámos a uma figura; porque faltando este há agora um espaço ainda vazio. É necessário que o Pastor Diocesano, na realização da sua missão, saiba escolher quem possa retomar este serviço de coordenação e dinamização pastoral. Certamente que alguns valores existem ao nível do presbitério - com a formação necessária; com a lucidez requerida; e com competências a desenvolver. Também hoje (e faço-o livremente como membro do presbitério!) me passavam pela cabeça alguns nomes. Na verdade, a Diocese tem de investir na formação dos seus padres. E quando investe deverá contar com eles para o serviço de que carece! Também aí é necessária lucidez: para formar e pedir que se ponha a render a formação feita!
Como a vida se faz de realidades sempre novas, uma outra página, em linha de continuidade, se abre diante de nós na história desta «mais que secular» Diocese de Coimbra; sempre capaz de responder (com maiores ou menores dinamismos!) às exigências da sua missão e de cada tempo! E esta é a beleza de cada Igreja Particular no dinamismo deste mesmo tempo: ver como ela, com maiores ou menores rasgos, é chamada a instaurar o Reino de Deus já presente e a encaminhar-nos, como Igreja peregrina, para a sua consumação final!

sábado, 28 de junho de 2008

Ano Paulino - Propostas Pastorais!

Propostas de meios pastorais para a vivência do Ano Paulino:
8. (...) O Ano Paulino oferece uma ocasião riquíssima para o nosso serviço às Igrejas. Cada uma encontrará os meios que considere os mais adaptados para o viver e celebrar. No entanto a Conferência Episcopal, órgão ao serviço da unidade de todas as Igrejas de Portugal, propõe a todas os seguintes instrumentos pastorais:
8.1. “Um ano a caminhar com São Paulo”. Trata-se de um itinerário catequético, tendo Paulo como guia, que além do conhecimento mais profundo do Apóstolo, nos fará percorrer, durante 52 semanas, as principais etapas do caminho cristão. Apresenta um tema para cada semana do ano e destina-se, além das pessoas individualmente, às famílias, aos grupos paroquiais, à pastoral juvenil, aos Movimentos.
8.2. A vivência da Liturgia. Os textos de São Paulo são dos que mais continuamente são lidos na Liturgia. Propomos, durante este ano, uma valorização destes textos, sobretudo nas homilias, não esquecendo que a Liturgia é a grande catequese da Igreja. A Comissão Nacional de Liturgia preparará elementos que ajudem os pastores das comunidades a realizar este objectivo.
8.3. Estudos sobre São Paulo. A Faculdade de Teologia, nos seus diversos Centros e Escolas filiadas, oferecerá ao Povo de Deus, sessões de estudos paulinos.
8.4. Valorização de outras ofertas, particularmente a apresentada pela família Paulista (Padres, Irmãs paulistas e Pias discípulas).
8.5. A festa da conversão de São Paulo, no próximo ano, será celebrada ao Domingo. Será organizada uma grande celebração nacional nesse dia, na Igreja da Santíssima Trindade, em Fátima, centrada num aspecto englobante da doutrina de Paulo.
9. Ao celebrar o Ano Paulino, queremos ter o Apóstolo Paulo como guia inspirador da nossa missão de pastores, de todos os evangelizadores, de quantos, neste mundo secularizado, querem viver connosco a aventura da Igreja.
Fátima, 6 de Maio de 2008

OBS. Esta é a proposta da Conferência Episcopal Portuguesa. O texto é retirado da Nota Pastoral que os Bispos escreveram a propósito deste Ano Paulino.