Temos um país a dois ritmos: com uma crise económica e social poucas vezes vista; e um Europeu de Futebol que parece querer animar as «hostes». Este último factor até poderia servir de calmante ao primeiro. Na verdade, socialmente os portugueses vivem uma situação de aperto como poucas vezes experimentaram. Até porque as despesas do Estado não parecem baixar considerávelmente e o investimento não resulta, como esperado - a cada dia são mais as empresas a fechar portas ou a deslocalizar-se, deixando tanta gente no desemprego. Sem produção, e consequente aumento de exportações, não é possível avançar para lá deste limiar confrangedor. Mas a questão que mais me indigna é que alguns - poucos! - aproveitem «tão bem» do mal de muitos. Os combustiveis são disso um bom exemplo. Não bastam discursos justificativos, na tentativa de atirar poeira para os olhos dos consumidores. A Galp, por exemplo, neste tempo de crise, que se tem agravado desde o início do ano, aumentou, no mesmo período, em 175 milhões de euros os seus lucros (um acréscimo de 22,9%). Alguma coisa não está bem! Se as dificuldades existem deviam ser palpáveis para todos. Mas a verdade é que não são! E nem o Futebol - que tantos ânimos tem levantado - se inscreve neste quadro como certeza! Depois de todas as movimentação, quase idolatria de algumas pessoas, eis que elas dizem estar de passagem, mesmo antes de acabar os seus compromissos. É o caso do seleccionador nacional: pediu apoio, catapultou entusiasmos, e mesmo antes de acabar um campeonato deixa a certeza de que afinal se vai embora! Enfim... o que hoje é certeza, entusiasmo e alegria, amanhã será mera ilusão, sentimento vago de algo que animou, mas não respondeu às ânsias. É esta a volatilidade da vida! E é esta, também, a volatilidade deste Velho Portugal! Se não se enraizar sólidamente naquilo que pode ser uma esperança segura de futuro - de crescimento, de justiça social, de investimento, de seriedade política, económia, social e cultural, não almejará grande fututro. Vivamos o efémero (eu também o vivo!), mas conscientes que é efémero! Fortaleçamos o que é seguro, para dar futuro a Portugal.quinta-feira, 12 de junho de 2008
As volatilidades de Portugal!
Temos um país a dois ritmos: com uma crise económica e social poucas vezes vista; e um Europeu de Futebol que parece querer animar as «hostes». Este último factor até poderia servir de calmante ao primeiro. Na verdade, socialmente os portugueses vivem uma situação de aperto como poucas vezes experimentaram. Até porque as despesas do Estado não parecem baixar considerávelmente e o investimento não resulta, como esperado - a cada dia são mais as empresas a fechar portas ou a deslocalizar-se, deixando tanta gente no desemprego. Sem produção, e consequente aumento de exportações, não é possível avançar para lá deste limiar confrangedor. Mas a questão que mais me indigna é que alguns - poucos! - aproveitem «tão bem» do mal de muitos. Os combustiveis são disso um bom exemplo. Não bastam discursos justificativos, na tentativa de atirar poeira para os olhos dos consumidores. A Galp, por exemplo, neste tempo de crise, que se tem agravado desde o início do ano, aumentou, no mesmo período, em 175 milhões de euros os seus lucros (um acréscimo de 22,9%). Alguma coisa não está bem! Se as dificuldades existem deviam ser palpáveis para todos. Mas a verdade é que não são! E nem o Futebol - que tantos ânimos tem levantado - se inscreve neste quadro como certeza! Depois de todas as movimentação, quase idolatria de algumas pessoas, eis que elas dizem estar de passagem, mesmo antes de acabar os seus compromissos. É o caso do seleccionador nacional: pediu apoio, catapultou entusiasmos, e mesmo antes de acabar um campeonato deixa a certeza de que afinal se vai embora! Enfim... o que hoje é certeza, entusiasmo e alegria, amanhã será mera ilusão, sentimento vago de algo que animou, mas não respondeu às ânsias. É esta a volatilidade da vida! E é esta, também, a volatilidade deste Velho Portugal! Se não se enraizar sólidamente naquilo que pode ser uma esperança segura de futuro - de crescimento, de justiça social, de investimento, de seriedade política, económia, social e cultural, não almejará grande fututro. Vivamos o efémero (eu também o vivo!), mas conscientes que é efémero! Fortaleçamos o que é seguro, para dar futuro a Portugal.quinta-feira, 5 de junho de 2008
«Paladino» da Liberdade!
Independentemente das opções políticas, das sensibilidades ideológicas e sociais, mesmo gostando, ou não, da personagem, é indiscutível que Manuel Alegre é um «paladino« da Liberdade. Diz o que pensa, o que sente, o que entende - em consciência! - deverem ser as grandes opções políticas para o Portugal de hoje. Por isso, uma vez mais, gostei de o ouvir na Grande Entrevista da RTP1. É que, acima de tudo, apela-nos a não nos deixarmos vencer pelos interesses instalados, por um certo «corporativismo», por uma obediência cega... Apela-nos a sermos livres face às forças de pressão, aos grupos de interesses, ao «ditado» comum... Isto é: não abdica da sua consciência, das suas opções, da sua sensibilidade, mesmo sabendo que pode errar e que estas opções serão naturalmente discutíveis. É essa liberdade que me impressiona, num mundo vendido às opções alheias, em que muitas vezes cada um tem tendência a fazer «coro» com aqueles que, dominando, subjugam a consciência, a livre opção e a capacidade de outros se autodeterminarem perante o «simples» interesse da conveniência, ou do resultado imediato. Necessitamos, cada vez mais, de gente «crítica», capaz de reflectir, de rasgar horizontes, de ajudar a ultrapassar interesses instalados. Este é, para mim, o maior desafio da personalidade de Manuel Alegre.Já depois da entrevista, dava comigo a pensar como isto é necessário não só ao nível político, mas também social, cultural e até eclesial. Bem sei que a «factura» a pagar pela diferença é, quantas vezes, uma forte solidão. Mas este é um dever para connosco e para com outros - deixar o limiar do conveniente para assumir a afirmação do dever. E foi nesta linha de pensamentos que peguei na Gaudium et Spes, nº 16, para reler: No fundo da consciência, o homem descobre uma lei, que ele não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer, e cuja voz ressoa oportunamente aos ouvidos do seu coração, convidando-o a amar e a fazer o bem e evitar o mal. (...) A consciência é o núcleo mais secreto do homem, e o santuário onde ele está a sós com Deus, cuja voz ressoa no seu íntimo. (...) Pela fidelidade à consciência, os cristãos unem-se aos outros homens, para procurar a verdade e resolver com acerto os numerosos problemas morais, que surgem tanto na vida individual, como na comunidade social. Se mais não ficasse - pois ficou muito mais: o primado da pessoa sobre o valor do material! - teria ficado este convite a retomar esta linha de orientação, que a Igreja magnificamente nos desafia a viver. Se todos fôssemos fiéis à consciência pessoal, distanciando-nos, quantas vezes, de interesses meramente egoístas, imediatos, ou mesmo mesquinhos, como este mundo (o nosso, que nos rodeia e que construímos!) podia ser diferente!... Mais humano e mais fraterno!
Em Cristo! (II)
terça-feira, 3 de junho de 2008
Em Cristo!

"Se fosse possível sondar o coração, o que descobríamos? Surpreendentemente, iríamos aperceber-nos de que, no mais profundo da condição humana, se encontra a espera de uma presença, o silencioso desejo de uma comunhão.
Eis que descobrimos no Evangelho uma resposta a esta espera. São João expressa-a com estas palavras: «A luz que ilumina todo o ser humano veio ao mundo.»
Eis que descobrimos no Evangelho uma resposta a esta espera. São João expressa-a com estas palavras: «A luz que ilumina todo o ser humano veio ao mundo.»
Esta luz é a luz de Cristo ressuscitado. Talvez o conheçamos pouco, mas ele permanece próximo de cada um de nós."
Irmão Roger, Deus Só Pode Amar, p. 21
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Festa das Famílias e dos Jovens!

Foi uma bela experiência de comunhão diocesana, aquela que vivemos no Luso, neste passado fim-de-semana de 17 e 18 de Maio. Para além da multiplicidade de actividades, de propostas de reflexão, de partilhas diversas de vivências e experiências, o facto de nos congregarmos como uma realidade só, em experiência de comunhão e de unidade, é, por si, uma riqueza inesgotável. Necessitamos, cada vez mais, de nos abrir à partilha e à capacidade de construir projectos comuns. Bem o disse o nosso bispo, na homilia da celebração. Mas agora, como semente, o encontro - como tantos outros! - tem de dar fruto! E julgo que o modo de o fazer frutificar é, precisamente, agregando em comunhão quem está mais próximo. A definição de trabalho em Arciprestado não pode continuar a ser simples afirmação teórica; tem de ser uma realidade a implementar. Esta festa das famílias e dos jovens, pese embora não tenha envolvido todo o arciprestado, como eu pessoalmente gostaria, foi, também, uma vez mais uma experiência rica de trabalho comum. Aqui estiveram a maior parte das paróquias do arciprestado, preparando e realizando este trabalho em conjunto.
Mas esta grande festa ultrapassou os limites do arciprestado e foi, inequivocamente, uma grande festa da diocese. A multiplicidade de voluntários, provenientes das mais diversas comunidades, são disso um belo exemplo. Foi com muita alegria que vi aqui, nesta paróquia que me está confiada, a diocese reunida, assumindo em comum o desafio que lhe fora lançado. Para tal é necessário encontrarmos gente com visão e com perspectivas alargadas. Saúdo, por isso, o Pe. João Paulo Vaz que nos deu um bom exemplo de coordenação, congregando muita gente no mesmo esforço. Pude acompanhar o seu trabalho ao longo destes últimos meses, e apreciei muito a sua capacidade mobilizadora e de reponsabilização. Também este é o futuro a viver a outros níveis.
Foi mais uma bela página de vivência diocesana, que espero dê fruto abundante no fututo que se aproxima.
De todas as actividades, e pese embora não ser a mais imponente na sua grandiosidade, como o foi a celebração da Eucaristia, com o Pavilhão Gimnodesportivo completamente cheio, a experiência de subir a Serra do Buçaco, em vigília nocturna, com cerca de quinhentos jovens, e a oração, com o Grupo de Taizé, na Cruz Alta, foi uma experiência cheio de uma imensa mística. Muitas vezes subi já àquela cruz - sózinho, com jovens, com adultos, em convívio, em solidão, em reflexão... Mas subi-la para me deixar iluminar pela cruz que brilhava no meio do nevoeiro, à luz das velas e tochas, cantando os louvores de Deus, foi uma experiência espiritual profunda, que me permitiu vivenciar o mais importante - tema agregador para todos os momentos - o Amor do Pai. Sim, o Amor do Pai, que «naquela» cruz nos amou tanto, ao ponto de, no Filho, se entregar por nós. Que este Pai permita que o seu amor lançado nos nossos corações possa agora futificar - no amor para com Ele e no amor de irmãos, construindo, aqui e agora, a Igreja que Ele deseja.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Escutismo e desenvolvimento integral!

Num tempo em que falamos tanto do desenvolvimento integral das nossas crianças e jovens, a Flor de Lis - Orgão Oficial do Corpo Nacional de Escutas -, em artigo de Pedro Duarte Silva, apresenta-nos uma belíssima estruturação desta formação integral:
Um ser humano é feito de:
Corpo - Desenvolvimento físico;
Inteligência - Desenvolvimento intelectual;
Emoções - Desenvolvimento emocional;
Natureza Social - Desenvolvimento social;
Alma - Desenvolvimento espiritual.
Faltando algum destes elementos constitutivos, o homem está, necessáriamente, incompleto. Mas, o mais interessante, é que o escutismo, quando bem vivido, permite o desenvolvimento de todas estas componentes. A actividade física, própria da dinâmica escutista, contrabalança com uma tendente sedentarização dos nossos jovens, fruto do uso por vezes abusivo das novas tecnologias. A inteligência cultiva-se, igualmente, na mesma dinâmica, quando as actividades propostas são bem organizadas, pedagógicamente correctas e facilitadoras de uma capacidade reflexiva e de síntese. Vejam-se alguns jogos de pista, fogos de concelho, actividades lúdicas e formativas...; quanto manancial disponível para aprender de forma atraente e agradável... Mas as dimensões emocional e relacional são aquelas que mais atraem na vivência do escutismo. Se dizemos que os jovens se sentem atraídos pelas actividades próprias do escutismo, não podemos esquecer que tal se deve ao facto de serem vividas em grupo e de potenciarem a amizade. O facto de desempenhar uma tarefa que implica o grupo cria condições de sociabilização e de afecto que dão profundidade a toda a vivência comum. E também hoje, numa realidade tendencialmente individualista, o escutismo vem ao encontro dos desejos mais profundos das nossas crianças e jovens. A dimensão espiritual marca o desafio do mais profundo; do mais além, onde tudo ganha um sentido radicalmente novo. Onde o presente não se esgota, mas nos abre a um futuro. Por isso, construir o próprio ser na relação com os demais não nos deixa fechados no imediato do aqui e agora; abre-nos a uma dimensão bem mais profunda, onde todo o agir ganha um sentido radicalmente novo. Digamos que a experiência da felicidade experimentada na relação com os outros, nos projecta para uma certeza que de longe nos chama a ir mais além, a buscar o sentido pleno do qua ainda está marcado pela contingência. Quantas vezes um momento de contemplação, uma experiência de amizade, uma actividade... nos enche a alma e nos faz como que perder a noção do tempo. E perder-se nessa imensidão é o desejo mais profundo de cada um. Para o escutismo Católico, esse desejo de profundidade tem rosto - chama-se Jesus Cristo. E é curioso que não só nos apela para esse eterno em nós, mas nos ensina que todas as outras dimensões do nosso ser, devidamente cultivadas, são abertura a essa plenitude. É o viver o já na esperança do que há-de vir. Portanto, felizes já, na esperança de uma felicidade que será plena.
É por isso que importa investir no Escutismo. Poucas serão as «escolas» tão ricas no seu programa, ao serviço do crescimento das nossas crianças e jovens.
É por isso que importa investir no Escutismo. Poucas serão as «escolas» tão ricas no seu programa, ao serviço do crescimento das nossas crianças e jovens.
Pe. Carlos Alberto Godinho
terça-feira, 13 de maio de 2008
D. João Lavrador
Expressava aqui, no ano passado, a minha alegria por ver elevados ao Episcopado os Srs. D. António Couto e D. Anacleto Oliveira. Hoje, cabe-me expressar a minha alegria pela nomeação Episcopal de D. João Lavrador. Se os primeiros me marcaram enquanto professores de Teologia, D. João Lavrador foi mais um colega com quem pude partilhar alguns momentos da minha vida, particularmente durante a minha presença habitual em Coimbra, enquanto frequentava a Faculdade de Letras da Universidade. Foram sempre momentos muito proveitosas e, sobretudo, afáveis as conversas à hora de almoço. É curioso que descobri no agora D. João Lavrador o colega amigo que noutros contextos não pude conhecer. O seu trabalho pastoral não me permitiu conhecê-lo. Nem mesmo a sua passagem pelo Seminário, pois entrou como perfeito e, logo, como Reitor, quando eu saía, terminando o meu curso de Teologia. Estes anos de Coimbra permitiram-me outra proximidade, outra amizade e outro carinho pelo Pe. João Lavrador.
Além disso, apreciei sempre o seu esforço empenhado na coordenação do trabalho pastoral a nível diocesano e a nível da pastoral universitária. Indiscutível é que foi abnegado na sua doação, assumindo todos os trabalhos necessários, numa grande disponibilidade.
Além disso, apreciei sempre o seu esforço empenhado na coordenação do trabalho pastoral a nível diocesano e a nível da pastoral universitária. Indiscutível é que foi abnegado na sua doação, assumindo todos os trabalhos necessários, numa grande disponibilidade.
Rendo-lhe, por isso, a minha homenagem e congratulo-me com ele nesta nova estapa da sua vida. Mais: peço a Deus que o cumule com as suas bençãos, nesta hora em que é chamado a servir com mais profunda responsabilidade a Igreja de Cristo e a servir os irmãos numa total doação. Ser Bispo é ser servo à imagem de Cristo. Se todos olhamos e nos congratulamos com a sua escolha para este ministério, não podemos deixar de o lembrar nesta hora de novo desafio, em que é chamado a servir no total desprendimento de si. "Fiz-me tudo para todos" - dizia São Paulo. Ser Bispo é isto: ser tudo para todos! A tarefa reveste-se, por isso, de maiores exigências. Caro D. João Lavrador, fica aqui o meu testemunho de amizade, a certeza da minha oração, e a manifestação da minha alegria. Ainda que lho tenha manifestado pessoalmente, este pode ser um espaço de reconhecimento e de partilha, com tantos irmãos, e de testemunho público, da comunhão que sempre nos há-de unir enquanto servidores de uma mesma Igreja. Que o serviço que agora assume possa ser particular fonte de profunda alegria. E que as provas nada sejam diante da certeza de servir a causa do Evangelho, comungando «as alegrias, as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo», como refere a Gaudium et Spes, nº 1.
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