terça-feira, 4 de março de 2008

Dornes: Um espaço místico!

A freguesia de Dornes situa-se no extremo norte do distrito de Santarém, concelho de Ferreira do Zêzere. Eclesiásticamente pertence ao Bispado de Coimbra e turisticamente está integrada na Região de Turismo dos Templários. Dornes faz fronteira, através do rio Zêzere (Albufeira de Castelo do Bode), com o distrito de Castelo Branco, concelho da Sertã, freguesia de Cernache do Bonjardim. No concelho de Ferreira do Zêzere temos como freguesias vizinhas, as de Águas Belas, Bêco e Paio Mendes. Com uma área aproximada de 22,1 Km2, tem como localidades de maior destaque para além de Dornes, sede histórica e religiosa da freguesia, os lugares de Barrada, Cagida, Carril, Casal Ascenso Antunes, Casal da Mata, Frazoeira, Joaninho, Junqueira, Lameirancha, Macieira da Rocha, Peralfaia, Quinta da Benta, Quintas, Ribeiro da Coroa, Rio Cimeiro, Rio Fundeiro, Salão de Baixo, Salão de Cima e Vale Serrão.
Terra muito antiga, será mesmo anterior à fundação da nacionalidade, como o atestam os monumentos e os vestígios arqueológicos que por aqui se têm encontrado. Já na primeira dinastia encontramos alguns documentos que lhe fazem referência, sendo muito divulgada a presença de um religioso de Dornes no Foral de Arega, em inícios do século XIII, e facto a assinalar a sede em Dornes, desde o século XII, de uma Comenda da Ordem dos Templários. Já no século XV, Dornes, enquanto Comenda Mor da Ordem de Cristo teve por Comendador D. Gonçalo de Sousa, homem muito influente, da Casa do Infante D. Henrique, e que aqui mandou construir, em 1453, a Igreja de Nossa Senhora do Pranto. Este local de culto deu à povoação, parte da importância que esteve na origem, em 1513, da atribuição do Foral Manuelino, que delimitava o Concelho de Dornes à sua freguesia e à do Beco, nascendo a de Paio Mendes uns anos mais tarde. Desta terra sairiam um século mais tarde, muitos dos heróicos combatentes que por volta de 1650 se bateram nas fronteiras para assegurar a independência nacional. Do "modus vivendus" das gentes de Dornes, destacaremos a produção e comercialização da madeira de castanho, tradição que já encontramos descrita desde o século XIV e que se manteve até finais do século XIX. Também no Século XIX, a reforma de Rodrigo da Fonseca, veio extinguir o Concelho Dornes, integrando-o desde 1835, no Concelho de Ferreira do Zêzere.
Do século XIX para cá, a freguesia de Dornes tem sido um polo de atracção turística e a sala de visitas do Concelho de Ferreira do Zêzere em função das suas paisagens deslumbrantes sobre o Zêzere e também em virtude da grande carga histórica e monumental que as suas aldeias encerram. De entre os visitantes ilustres, destacaremos Alfredo Keil que em 1890, ensaiaria com a então Sociedade Filarmónica Carrilense a primeira orquestração do marcha: "A Portuguesa", sendo assim o Carril, um dos berços do actual hino nacional português.
Texto in www.jf-dornes.pt

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O Regresso do Filho Pródigo!

Em tempo de Quaresma, deixo aqui uma sugestão de leitura. Mais do que indicar o autor e o nome do livro, deixo este excerto, que é de uma enorme doçura e diz muito do coração de Deus:

"Ao longo de toda a minha vida tenho lutado por encontrar Deus, por conhecer Deus, por amar a Deus; procurei seguir as directrizes da vida espiritual - orar constantemente, trabalhar pelos outros, ler as Escrituras - e evitei muitas tentações de arranjar desculpas. Falhei muitas vezes, mas voltei sempre a tentar, mesmo quando estive à beira do desespero.
Agora pergunto se durante todo este tempo tive ou não suficiente consciência de que Deus andou a procurar encontrar-me, conhecer-me e amar-me. A questão não é: «Como hei-de encontrar Deus?», mas: «Como hei-de deixar que Deus me encontre?». A questão não é: «Como posso conhecer Deus?», mas: «Como posso deixar que Deus me conheça?». Finalmente, a questão não é: «Como vou amar a Deus?», mas: «Como vou deixar amar-me por Deus?» Deus anda por longe à minha procura, tratando de me encontrar e desejando levar-me para casa."
Henri Nouwen, O Regresso do Filho Pródigo, pp. 118 - 119.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Outro pensamento!

Nesta casa iluminada, onde a aprendizagem é constante, um jovem (filho mais velho de quatro irmãos!) partilhava comigo este outro pensamento:

"Lá porque tenho asas, não tenho de voar em todos os céus!"
Luís Filipe
Muito interessante!

A verdadeira partilha!

Na sequência de uma conversa sobre as aulas de Doutrina Social da Igreja, da Escola de Leigos de Coimbra, partilhava o formador este pensamento comigo, que aqui quero registar:

"...Quando dou pão aos pobres, chamam-me santo; quando pergunto pelas causas da pobreza chamam-me comunista..."

D. Hélder Câmara, O Dom da Paz
Vale a pena pensar nisto e ser consequente!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Defesa do Ensino Artístico em Portugal!

Acabo de assinar uma petição online, no sentido de se salvaguardar a «Defesa do Ensino Artístico em Portugal». Esta petição pode fazer-se em petitiononline.com. A razão que me levou a subscrever esta lista é o desnorte governativo a que temos assistido. Primeiro na saúde e agora na educação. Senão vejamos: na sáude não tinhamos alternativas para atender condignamente as pessoas e fecharam-se urgências. Isto é, primeiro encerra-se o que há e depois criam-se estruturas para responder ao que falta. Agora, ao nível da educação, limita-se o ensino artístico nos Conservatórios com a promessa de que o ensino passará para as escolas públicas. Todavia, não existe um programa de valorização do ensino artístico nas escolas; não existem professores destacados para esta área; não existe uma estrutura de suporte que permita a sua instauração tão rápida no ensino público; nem tão pouco existe uma sensibilização dos pais para a formação a este nível. Assim começamos uma vez mais a casa pelo telhado: retiramos o pouco que existe, sem oferecer o que seria desejável. Quem dera que as nossas escolas formassem integralmente os seus alunos. Também a este nível. Todavia, as políticas são de supressão e não de construção. Temos pouco e acabamos com esse pouco que ainda nos resta. Se é certo que apenas uma minoria das nossas crianças têm acesso a este tipo de ensino, ao menos não acabem com a possibilidade de estes se valorizarem. Na verdade, apetece mesmo dizer: basta! Não se entendem estas opções governativas mascaradas de boas intenções. Como se nós não conhecessemos já os resultados. Daqui a pouco teremos alunos menos bem preparados, menos valorizados, menos capazes de desenvolver competências, como é apanágio discursivo do Ministério da Educação. Apetece-me ainda dizer: valham-nos as nossas Sociedades Filrmónicas, que, abnegadamente, fazem um trabalho que os poderes públicos são incapazes de promover! Até que eles venham intrometer ali também o seu nariz! Infelizmente temos um poder que mais parece limitativo do que construtivo! Não pretendo assumir aqui posturas político-paridárias, mas simplesmente a defesa daquilo que me parece o mais elementar bom senso!

A Fé!

Deixo aqui uma citação do Papa Bento XVI, na Carta Encíclica Spe Salvi, sobre o significado da Fé. O Papa, para além da densidade teológica, confronta-nos com um conjunto de realidades que se transformam numa óptima possibilidade de meditação. Fiquemos com o excerto:

"A fé não é só uma inclinação da pessoa para realidades que hão-de vir, mas estão ainda totalmente ausentes.; ela dá-nos algo. Dá-nos já agora algo da realidade esperada, e esta realidade presente constitui para nós uma «prova» das coisas que ainda não se vêem. Ela atrai o futuro para dentro do presente, de modo que aquele já não é puro «ainda-não». O facto deste futuro existir, muda o presente; o presente é tocado pela realidade futura, e assim as coisas futuras derramam-se nas presentes e as presentes nas futuras." (SS. 7)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A Defesa do Ambiente!

Durante muito tempo deixámos que a questão ambiental se entendesse quase como tarefa exclusiva de um certo grupo ou grupos sociais, mais ou menos institucionalizados, fossem cívicos, políticos ou mesmo de corrente de opinião. A questão ambiental foi-se afirmando paulatinamente como elemento estruturante de algumas orientações políticas e de forte sensibilização social. A este nível, o prémio Nobel da Paz atribuído, no ano passado, a Al Gore e ao seu trabalho na luta pela preservação do ambiente, veio relançar a urgência de revermos as nossas atitudes na relação com a natureza e os bens de que dispomos. Foi um contributo importante, sobretudo porque nos confrontou com a viabilidade ou não viabilidade da tão desejada estabilidade da vida humana que está profundamente ameaçada. Mas se para alguns estas são ainda afirmações «politizadas», a verdade é que as notícias são recorrentes confrontando-nos sistematicamente com dramas humanos que resultam deste terrível desequilíbrio no uso dos bens da criação. Não raro, são países mais pobres, como os do Continente Africano, Asiático e até da América Latina, que mais sofrem as consequências destes desajustes, seja devido ás secas prolongadas, sejam as consequências do imensos temporais que varrem tudo por onde passam. Algumas vezes ficamos até com a sensação que, pela sua localização geográfica, alguns povos foram «fadados» para sofrer. Veja-se ultimamente o caso de Moçambique, que nos está tão próximo afectiva e culturalmente.
Assumindo a sustentabilidade da terra como preocupação, a Organização da Nações Unidas propõe-nos como tema de reflexão e de acção, para este ano de 2008, o Planeta Terra – Ano Internacional do Planeta Terra. De igual modo, o Papa Bento XVI, na sua mensagem de Ano Novo, assume o tema com um conjunto de chamadas de atenção aos cristãos e aos homens de boa vontade, no sentido de cuidarmos da criação que nos foi confiada e de a legarmos como dom primeiro – a casa comum – aos vindouros. O Papa apela-nos, nessa mensagem, para uma verdadeira necessidade de conversão no modo como usamos os bens da criação, fundamentando-se no livro dos Génesis, concretamente na responsabilidade que cabe ao homem no sentido de cuidar desse dom precioso que Deus lhe confiou.
Sabemos que o problema ambiental é resultado de uma visão meramente economicista da vida, que não poupa nada nem ninguém. As nossas sociedades organizaram-se em torno do desenvolvimento económico sem cuidarem da sua viabilidade. Em última instância, não hesito em dizer que estamos diante do mais puro egoísmo e ganância, que não respeita nada nem ninguém, com as consequências humanas referidas.
Em tempo de Quaresma, a questão ambiental será um convite importante para todos nós, no sentido de mudarmos alguns hábitos e atitudes, de modo a contribuirmos para uma sustentabilidade da vida e da criação, de modo a que o dom de Deus seja por nós respeitado e cultivado, na fidelidade aos desígnios desta mesma criação. Torna-se mesmo um dever de consciência diante de nós próprios e de tantos dramas que resultam destes desequilíbrios.
Aqui não basta uma certa solidariedade; a caridade cristã assume hoje, também, estes contornos inadiáveis, transformando-se em imperativo de consciência. E os nossos gestos, por mais pequenos que sejam, serão sempre um contributo precioso.

Pe. Carlos Alberto das Graça Godinho