segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Ver com o coração!


"Só se vê bem com o coração.
O essencial é invisível aos olhos."

(Antoine Saint-Exupéry)

domingo, 16 de dezembro de 2007

A Alegria!

Adormeci e sonhei que a vida era alegria; despertei e vi que a vida era serviço; servi e vi que o serviço era alegria.
(Tagore)
Neste Domingo - Domingo da Alegria - partilhava estas convicções:
- A Alegria é um dom que jamais nos será tirado, pois a Verdadeira Alegria é a própria Vida Divina;
- A Alegria é uma possibilidade, aqui e agora, pelo acolhimento do Espírito de Deus e da Palavra de Jesus Cristo;
- A Alegria é um dom partilhado: sempre que somos uns para os outros à imagem de Jesus Cristo, somos fonte de Alegria, porque fonte de liberdade e de paz.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Felicidade!


A vida é demasiado breve para a não vivermos com intensidade e com Felicidade!
Deus criou-nos para sermos Felizes!
Este é um dos nossos deveres!
Sede Felizes, enquanto esperais a FELICIDADE PLENA!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Verdadeira Educação!

"Os Portugueses estão cada vez mais a libertar-se da culpa e a assumir as suas responsabilidades!"

Ana Mesquita in Portugal no Coração


Esta é uma indicação interessante, uma vez que a opção nunca se pode basear na culpa, mas sim na convicção. Qualquer ética tem de apontar para aqui - para a responsabilidade e a capacidade de optar. Este parece-me, também, o maior desafio em termos de educação: formar para a responsabilidade e nunca para o medo.
Esta visão da vida configura novos modos de comunicação e interiorozação de valores; estes não se fazem pelo medo, mas sim pelo descernimento.
É, igualmente, um forte desafio para quem forma: pais, escolas, igrejas, sociedade... Formar para a responsabilidade é sempre o grande desafio!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Um novo estilo de organização: renovar ou reformar!

Deixo aqui este texto interessantíssimo, do Sr. D. António Marcelino, que me parece ser um bom ponto de partida para uma reflexão séria!


Numa palavra de ordem à Igreja em Portugal, o Papa assinalou a necessidade de mudar o estilo de organização da comunidade eclesial e a mentalidade dos seus membros. Só assim, acrescenta, a Igreja poderá caminhar ao ritmo do Concílio Vaticano II.
Esta recomendação vem muito a propósito e com marcas de urgência. Teremos de nos interrogar se este objectivo se procura por reformas ou por um processo de renovação.
É um facto que a Igreja, em alguns campos e aspectos, não se desprendeu ainda de formas e de estruturas que hoje mais dificultam a circulação da vida, que a favorecem. As estruturas são um serviço à vida das pessoas e das comunidades. Por isso mesmo, são, por sua natureza, avaliadas periodicamente e substituídas ou renovadas, quando deixam de servir os objectivos desejados.
A Igreja está, em nome do Deus em que acredita e da Mensagem que lhe foi confiada, ao serviço das pessoas, construindo comunidades, animadas pela graça de os seus membros se sentirem uma família nova de filhos e de irmãos. Quando a vida das pessoas muda ou as mudanças sociais dão origem a novas culturas, nas quais se alteram valores, critérios e modelos de vida, logo tem de surgir a interrogação sobre os novos caminhos a abrir e percorrer para melhor se poder servir. De outro modo, a Igreja fica fora do tempo e começa a funcionar e a gastar as suas melhores energias em função de si própria e não daqueles aos quais é enviada. Fica assim em causa a sua condição de servidora do Evangelho de Cristo, uma Boa Nova nunca esgotada, nem envelhecida, e sempre necessária, para que as pessoas vivam e comuniquem segundo a dignidade que lhes é própria e, pelas relações mútuas, exerçam o seu protagonismo de construtores responsáveis de uma sociedade humanizada e fraterna.
Séculos houve em que, no aspecto religioso, o campo invadiu a cidade e aí assentou arraiais com formas de vida e de acção eminentemente rurais. As paróquias são estruturas rurais na sua origem e medievais na sua óptica e concepção.
Numa sociedade estática, na qual a cidade não era senão um campo alargado onde vivia maior número de gente rural, a estrutura territorial ajudava a coesão por via da delimitação de fronteiras e da concretização de tarefas religiosas. Os leigos em geral não eram mais que membros passivos da Igreja que dela recebiam a Palavra e os Sacramentos. A eles mais não se pedia que a ajuda material.
De depressa, por motivos ridículos, se foram gerando bairrismos e conflitos. Muitos destes ainda perduram sensíveis a formas novas que se pretendam implementar.
Pela explosão das ordens religiosas, ao tempo com clero mais abundante e preparado, foram surgindo no tecido religioso alguns quistos, que não favoreceram e ainda hoje nem sempre favorecem a renovação desejada.
O mundo das pessoas mudou nas suas expressões, objectivos e relacionamentos e as fronteiras territoriais amoleceram, no sentido da coesão e até da expressão comunitária. O urbanismo, como pensamento e expressão de vida, invadiu o que restava de mundo rural. A mobilidade cresceu pelas mais diversas razões e é hoje expressão normal da vida de muita gente. Democratizaram-se a vida pública e os regimes políticos, a escola e as relações pessoais, alteraram-se os valores tradicionais e multiplicaram-se as fontes de informação, com manifesta influência nos ideais de vida e nos comportamentos pessoais e colectivos. De repente, tudo mudou. Porém, algumas estruturas eclesiásticas, nomeadamente as paróquias, mas não só, perduram neste século XXI, embora com algumas reformas, com o colorido de formas estruturais de séculos longínquos. A palavra de ordem passou, por isso mesmo, a ser outra: Tempos novos, novas formas de acção pastoral e de expressão apostólica.
Esta reflexão, que vai continuar, pretende ser uma ajuda operativa ao apelo do Papa.

D. António Marcelino, in Dossier da Agência Ecclesia

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Pampilhosa: «Crescer Juntos»

Na sequência de algumas conversas e de algumas acções, que fui tendo nestes dias, recordava aquele princípio básico da nossa experiência, recolhido no adágio popular «ninguém é feliz sozinho», e sentia como é necessário encontrarmos formas próximas de comunicação. A primeira, indiscutivelmente, passa pela relação mais íntima, no diálogo pessoa a pessoa, de que o nosso mundo de hoje tanto carece. E este mundo é, também, cada um de nós, em circunstâncias tão variadas da nossa própria vida. Necessitamos uns dos outros para nos confrontarmos, para nos aconselharmos, para nos descobrirmos, para manifestarmos as nossas ideias e sentimentos… Em suma, para crescermos!
Desde logo, a psicologia diz-nos que o que somos se forma nesta interacção; ou ainda, que são os outros a revelar-nos uma boa parte de nós. Isto é, necessitamos do outro para nos descobrirmos na nossa identidade mais profunda e crescermos como pessoas.
Poder partilhar as nossas vidas é, então, não apenas uma graça, mas também uma necessidade! Efectivamente, «ninguém é feliz sozinho»!
Os campos primeiros de acolhimento e de expressão do que somos encontramo-los na família, no grupo de amigos, nesta ou naquela instituição de que somos pertença. É aí que formamos a nossa identidade e nos expressamos na pura verdade daquilo que somos e vivemos.
Partindo do que referi, e ao olhar, agora, para a nossa comunidade cristã, sinto igualmente que ela tem de ser essencialmente um espaço de crescimento conjunto. Não apenas um lugar de rituais, de aprendizagem dos conteúdos da fé, ou de referência como lugar de uma certa pertença territorial. A Comunidade Cristã tem de ser um espaço de acolhimento de cada um, de partilha, de escuta, de confronto sadio, de expressão autêntica da identidade pessoal. Tendo por base um ideal comum – o projecto de vida definido por Jesus Cristo – a comunidade tem de ser o lugar da minha identidade e da minha expressão. Isto é, o espaço em que partilho o que sou e acolho o que os outros são!
Nesta perspectiva, importa que cada um de nós se abra à partilha com os demais; mas importa, igualmente, que cada um seja capaz de acolher a diferença e a complementaridade. Na Comunidade cada um é dom para o outro e cresce na medida em que acolhe esse outro como dom! Só assim, libertos de egocentrismos e abertos à alteridade, podemos crescer em conjunto.
Acabado de chegar à Pampilhosa, também eu gostaria de ser contributo neste crescimento conjunto; dando-me e recebendo o muito que cada um traz à minha presença. É aqui – creio – que aprendo, em dinâmica constante, a ser padre. Porque também eu não estou «feito», estou em pleno crescimento! A vida é sempre uma aprendizagem contínua e é-o, essencialmente, por aquilo que cada um nos traz de si como verdadeiro dom!
Também eu quero crescer convosco e, se possível, dar-vos algo de mim, que nos permita dizer sempre, momento a momento: crescemos em conjunto!
Pe. Carlos Alberto Godinho
Editorial do Jornal Voz da Paróquia


terça-feira, 27 de novembro de 2007

Em memória...

Hoje escrevo porém para a Saudade
- Nome que diz permanência do perdido.

Sofia de Mello Breyner Andresen
Hoje cito Sofia recordando aquele amigo, aquele colega, aquele «irmão» - o Álvaro Alfeu - que tão cedo partiu!
Tanto queria ser padre; tanto gostava de cantar os louvores de Deus (foi ele quem me entusiasmou a dedicar-me ao canto litúrgico); tanto amou os outros, ao ponto de partilhar aquilo que lhe era necessário (não esqueço, Álvaro, os ciganos que assististe com os teus cobertores, naquela noite de massacre, na Figueira da Foz!); tanto queria dedicar-se ao serviço das comunidades... E tão cedo partiu! Com apenas dezoito anos, vítima daquela leucemia que o não poupou.
Não esqueço os teus projectos de continuarmos os estudos no ano seguinte quando, na cama do hospital, só pensavas em recuperar-te e nós sabiamos que daí a pouco já não estarias entre nós!... Quão dificil foi viver esse momento derradeiro da tua presença, da tua esperança, da tua alegria, ainda que macerada pela dor que te atormentava. Não esqueço a alegria com que exibias o terço recentemente oferecido pelo Bispo da Diocese quando te visitou no Hospital, acabado de oferecer pelo Papa na sua recente visita.
Não esqueço - como adivinhavas tu? - a tua expressão contínua: «vou morrer!», sem que nada nos pudesse levar a supor isso! Mas também não esqueço o que nos dizias (e celebrámos no dia das tuas exéquias!): «quando morrer cantem; cantem o Te Deum». E eu nunca pensei que tão depressa o iriamos cantar!
O Te Deum! Dando graças a Deus por aquilo que foste, para cada um de nós!
Não esqueço as lágrimas incontroladas daquele padre que tanto te estimava, o nosso director espiritual. Não esqueço a tua «vaidade», no modo como te arranjavas antes de sair para um acto público qualquer.... Não esqueço as tuas lágrimas quando, no teu quarto, partilhavas comigo o teu drama familiar... Tanta coisa que não esqueço! Não esqueço a tua amizade; nem te esqueço a ti, mesmo quando passaram já vinte e cinco anos sobre a tua partida! Sim, nesse dia 27 de Novembro de 1982.
Nunca esquecerei o céu cheio de nuvens, por onde brilhavam alguns raios de sol, dizendo-nos, naquele fim de tarde, quando regressávamos a casa, após a tua descida à terra, que mesmo para além das nuvens o sol continua a brilhar. E hoje, como ontem, fica a mesma vontade: Álvaro até à eternidade!