quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Inquietações!

Não posso deixar de registar aqui, hoje, um conjunto de inquietações que senti perante as notícias que nos vão chegando: os fogos na Grécia, a morte de um adolescente em Inglaterra e a morte do jogador espanhol , António Puerta.

1. Não existem palavras para descrever o drama e a angústia dos nossos irmãos gregos, perante um drama nunca visto como o dos incêndios que ali lavram, particularmente na Península do Peloponeso. É horrível o “espectáculo de morte” e o drama da perda total de bens. Imagino a angústia de quem vive este drama.
Mas, mais ainda, a ser verdade aquilo de que se suspeita, de que existem motivações políticas por detrás destes incêndios, então o “horror” torna-se maior. A pergunta só pode ser: que motivações – a não ser a loucura! – poderão conduzir alguém a pôr em causa, deste modo, a vida e os bens dos seus concidadãos? Se se provar que existem motivações políticas, então digamos que é hora de acabar com estes políticos e estas políticas!
E o paradoxo é mesmo esse (a provarem-se essas motivações!): falamos de um país onde nasceu a democracia e onde todos eram responsáveis uns pelos outros. Se assim for, não será hora de repensar os modelos políticos sobre os quais assentam as nossas governações? Bom, espero que outras motivações possam estar por detrás deste drama. Todavia, não acredito que perante aquelas centenas de fogos apenas existam pirómanos. Há um mundo que temos de repensar!


2. Vivemos num mundo perfeitamente louco, em que os valores se subvertem, e no qual, depois, nos lamentamos das nossas próprias acções. Não sei que motivos podem estar por detrás da morte daquele adolescente inglês, que regressava a casa depois de um jogo de futebol (por isso a base deste comentário é ainda incipiente), mas é certo que muitos dramas de morte entre jovens e adolescentes resultam de má formação que vão construindo ao longo da vida. E falo de má formação ao referir o permanente acento na violência que hoje povoa a mente das nossas crianças e adolescentes. Olhemos para os brinquedos que lhes oferecemos, para os filmes, os jogos, as consolas… que colocamos nas suas mãos. Existem jovens, hoje, que passam muito do seu tempo a divertirem-se com a violência. Não terá esta realidade consequências no seu crescimento e nas suas atitudes? Será a violência meramente uma realidade lúdica, sem consequências na formação de alguém, capaz de passar com o tempo? Espero bem que sim! E que o futuro não nos traga pequenos “monstros” que fomos alimentando paulatinamente. A realidade pode até ser outra, mas julgo que não podemos ficar descansados, acolhendo a dose de violência que se nos impõe, como se ela fosse uma simples brincadeira sem significado. Mas aqui deixo a palavra aos psicólogos, que, certamente, muito têm a dizer a este respeito.

3. A morte do jovem futebolista espanhol, do Sevilha, António Puerta, chocou-me terrivelmente. Como já me havia chocado a morte do nosso Fehér. Particularmente por se tratar de um jovem, no início da sua vida, com apenas vinte e dois anos. Ficamos sempre sem resposta perante notícias destas. Mas não deixa de me recolocar as questões de fundo: que sentido tem a vida? Que segurança podemos encontrar nos nossos sucessos, nos nossos projectos, nas nossas conquistas? Aquele jovem tinha conquistado já o seu reconhecimento, a partir do seu talento, e tinha direito a continuar a sonhar – pessoalmente, profissionalmente, familiarmente, socialmente... Tinha um futuro à sua frente. A vida tem de ser mais justa! E acredito que um dia (ainda que já hoje, “como num espelho”) possamos compreender o sentido profundo do nosso existir. Senão a vida seria uma espécie de presente envenenado. E acredito (e espero!) que o não é!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

AquaJovem!

Uma boa sugestão para o fim de semana de 31 de Agosto, 1 e 2 de Setembro. Um evento organizado pela Associação de Jovens Cristãos de Luso, inserido nas comemorações dos seus 25 anos.
Os objectivos, programa e informações podem encontrar-se em:

Só existem caminhos!

Relia, há pouco, um pensamento escrito pelo Pe. Vasco Pinto de Magalhães, que aproveito para partilhar aqui:
Há pessoas que estão sempre à espera de milagres, pensam que têm o direito de que Deus lhes faça a vontade e resolva os seus problemas. Como isso não acontece, desanimam e dizem que não têm fé. Não vêem que o único milagre que Deus faz, ou quer fazer, é dar-lhes força e sabedoria para serem elas a resolver os seus próprios problemas. Não existe o Deus das soluções, só existe o dos caminhos.

In Não há Soluções, Há Caminhos

Um pensamento bem interessante, que temos de ter presente em muitos momentos da vida. E afinal, nem por isso é um Deus mais ausente. Bem ao contrário, é um Deus bem presente!

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Contributo da Fé!

Dizia Humberto Pagiola que "a fé pode não mover montanhas, mas ajuda a subi-las". Assim é, na verdade. Muitas vezes, sentimos que a ligação a Deus não nos retira dos problemas que temos de enfrentar (tão pouco retirou o próprio Jesus Cristo), mas dá-nos o sentido da presença do Outro e a força interior necessária para continuar a lutar. Diante de muita gente que afirma que o recurso à fé é um baluarte dos fracos, vale a pena dizer que ela é um baluarte que nos fortalece. Principalmente porque, enquanto abertura a Deus, nos permite contar com a força desse Outro que me acompanha no mistério da minha vida. Por outro lado, ajuda-me a assumir o compromisso com a minha existência, porquanto me confronta com o modelo de vida que é Jesus Cristo. Nesta medida, qualquer experiência humana - mesmo que por mais dolorosa - pode ser vivida como abertura amorosa aos outros, fazendo-me sair do meu isolamento. Pela fé, tudo ganha absolutamente um sentido novo. Até a própria morte. Como escrevia João Azevedo Mendes, na introdução ao livro do Pe. Vasco Pinto de Magalhães, Não há Soluções, Há Caminhos, "ter fé é outro modo de dizer que temos futuro, que podemos ser felizes se quisermos".
A fé é esse alicerce da nossa existência, que nos faz assumir o presente com todas as consequências do simples viver e nos permite vislumbrar um futuro, transformado em esperança.

Padre no desemprego!

Na sequência de um artigo publicado no blog Padres Inquietos (artigo entretanto publicado no DN de 28 de Junho passado) a propósito de padre no desemprego, deixei os seguintes comentários, que aqui reproduzo:

1º Comentário:

Perante o artigo, dois comentários:
1 - Sem dúvida que um padre continua a ser um homem livre e deverá assumir as opções que, em cada momento, entender. Isto é, se a sua realização não passa pelo exercício do ministério, tem todo o direito a ser dele dispensado quando o pede. Eu próprio - padre em exercício - afirmei um dia ao meu bispo: «Se Deus respeita a minha liberdade, não posso entender como é que a Igreja, pela imposição das mãos de um Bispo, julga tê-la anulado». Portanto, o exercíco do ministério tem de ser algo livre e querido por cada um!
2 - Não consigo, todavia, entender como é que um padre que deixa o ministério não procura assegurar uma vida digna. Não pode estar à espera que a Igreja resolva os seus problemas imediatos. Tem de saber procurar uma nova forma de vida. E devo dizer que muito me preocupa ver colegas que abandonaram sem terem, depois, meios de subsistência. Têm de ir à luta. Não podem vitimizar-se ou ficar numa atitude de inércia. Já agora, ainda: quanto ao aproveitamento de quem deixou o ministério, julgo que esse será um caminho absolutamente necessário. Eu próprio o defendo. Todavia, isso não anula o que expus anteriormente.
Abraço a todos.
2º Comentário:
Tenho acompanhado este debate de ideias, que vai muito para além do caso do Francisco, que muito respeito e gostaria de ver feliz, a todos os níveis. Para reforçar a primeira ideia do meu comentário anterior, deixo aqui uma expressão de Hans Küng (um teólogo mal amado, mas de uma enorme pertinência) no pequeno livro que me foi emprestado: "Por que ainda ser Cristão?". Diz ele: "se quisermos ser cristãos, não podemos exigir exteriormente liberdade e direitos humanos para a Igreja e deixar de reconhecer interiormente esses direitos." Penso que vem bem a propósito. Toda a acção na Igreja tem de ser livre; só assim podemos ser fiéis a Jesus Cristo, que nos diz: "quem quiser...", nunca obrigando, mas fazendo sempre um desafio livre à opção de cada um.
Abraço.
Pe. Carlos

Formação de Catequistas!

«A formação dos catequistas é actualmente uma das tarefas mais urgentes das nossas comunidades, pois, “o catequista é de certo modo, o intérprete da Igreja junto dos catequizandos” (DCG 35).
“Qualquer actividade pastoral que não conte para a sua realização, com pessoas realmente formadas e preparadas, coloca em risco a sua qualidade” (DGC 234); portanto, é preciso contar com uma adequada pastoral de catequese que possa:
Suscitar vocações para a catequese;
Distribuir melhor os catequistas entre os diversos sectores;
Organizar a formação dos catequistas (de base e permanente);
Atender pessoal e espiritualmente os catequistas e formar um grupo de catequistas integrado na vida da comunidade.
O objetivo principal da formação do catequista é o de prepará-lo para comunicar a mensagem cristã àqueles que desejam entregar-se a Jesus Cristo. A finalidade da formação requer, portanto, que o catequista se torne o mais capacitado possível para realizar sua missão.»


Este pequeno apontamento foi retirado do sitio http://www.presbiteros.com.br/ Na verdade, encerra um desafio dos mais urgentes feito às nossas comunidades, nos dias de hoje - a transmissão da fé e o modo como o podemos e devemos fazê-lo. Não é por acaso que este tem sido o tema em debate nas últimas sessões da nossa Conferência Episcopal; nem, igualmente por acaso, que será tema de reflexão nas Jornadas Pastorais, no próximo mês de Setembro, para os padres da Diocese de Coimbra. É um tema verdadeiramente da máxima urgência!
E há tanto a fazer, a este nível, nas nossas comunidades! Bastaria colocarmo-nos, sériamente, a pergunta: qual a qualidade da transmissão da fé na minha Comunidade Paroquial? Que Deus nos ajude a privilegiar esta tarefa prioritária da Igreja!

domingo, 19 de agosto de 2007

Homenagem!

Se fosse vivo, o Senhor Pe. Abílio Simões completaria hoje, dia 19 de Agosto, 62 anos. Passados seis meses sobre o seu falecimento, continua a haver um sentimento imenso de perda. Se é certo que o choque inicial se atenua, a saudade do amigo, do companheiro, do padre, persiste! E é curioso que após a perda notamos melhor o bem que tivemos.
Igualmente se completaram cinquenta anos sobre a data de ordenação sacerdotal do Senhor Pe. Virgílio Gomes, no passado dia quinze. Acontecimento que ele estava a preparar com tanto entusiasmo e que não chegou a celebrar. Morreu cerca de cinco meses antes dessa data. Recordei-o, no passado dia 15, numa celebração de Bodas de Ouro Sacerdotais, com o pároco da minha paróquia natal, seu colega de curso.
Continuo a olhar à volta e a sentir o peso da perda e de uma certa solidão. Seis meses em que eu permaneço como único padre residente no espaço deste Arciprestado.
Curioso que mesmo que não nos vissemos com frequência (o que com o padre Abílio não acontecia, até porque me cruzava muitas vezes com ele), a certeza de que eles estavam ali era conforto e alento, o que agora não acontece. Tanto mais que o presbitério vive uma comunhão "sui generis" (prefiro chamar-lhe assim - sem queixa alguma, apenas como constatação), em que cada um continua a cuidar da sua vida e do seu trabalho. O sentido de corresponsabilidade é algo de muito diluído, vivendo cada um no seu pequeno mundo (como muitas vezes eu, no meu!...)
É por isso que hoje sinto mais essa ausência; e confrontar-me com uma imagem de quem desaparece faz surgir ainda um nó no intímo do coração!

Obs. Ainda que a data de publicação seja 20 de Agosto, comecei a escrever nos últimos minutos do dia 19. Na verdade, tudo é passageiro e, como diz a lenda, Cronos devora os seus própros filhos!