segunda-feira, 9 de julho de 2007

Sempre uma nova Esperança!...



O pôr do sol nunca é apenas um fim! É também a esperança de um novo nascer do sol!
Assim, também na vida: cada momento aparentemente final gera sempre outro cheio de vida e de alegria. Como cada pôr do sol, cada momento da vida traz em si o gérmen de uma Esperança renovada!

Espírito Santo!..


Ó Espírito Santo,
alma da minha alma,
eu Vos adoro;
iluminai-me,
guiai-me,
fortificai-me,
consolai-me,
dizei-me o que devo fazer,
dai-me as Vossas ordens.

Prometo submeter-me
a tudo o que desejardes de mim
e aceitar tudo quanto permitirdes
que me aconteça;

dai-me unicamente a conhecer
a Vossa vontade.

(Oração do Cardeal Mercier)

D. António Couto

Foi com muito agrado que vi ontem publicada, na Agência Ecclesia, a notícia de que o Pe. António Couto foi nomeado Bispo auxilar de Braga. E foi com agrado porque tive a oportunidade de o conhecer pessoalmente. Foi meu professor de Pentateuco, na Universidade Católica Portuguesa - Pólo Regional do Porto, onde terminei a Licenciatura em Teologia. Homem simples, afável, de boa relação, é, sobretudo, um homem muito sério na interpretação do conhecimento bíblico e na sua transmissão. Ainda hoje recordo o quanto aprendi com ele sobre estes livros da Sagrada Escritura. Pouco conheço dele a outros níveis, quanto ao exercício do ministério, senão aquilo que nos é dado conhecer pelas notícias a que temos acesso. Vi-o, uma ou outra vez, na sua participação no programa Ecclesia, no Canal 2 da RTP.

Quanto me é dado conhecer, partilho com outros da mesma opinião: é um motivo de esperança para a Igreja Portuguesa.

A par dele, relembro aqui também o Bispo auxiliar de Lisboa, D. Anacleto Oliveira. Igualmente um homem de profundo conhecimento bíblico (meu professor de São Paulo e Epístolas Católicas, no ISET, em Coimbra), conhecimento que alia a uma profunda simplicidade, serenidade e capacidade de diálogo com os seus interlocutores.
É um momento, sem dúvida, para uma grande esperança no enriquecimento da Igreja Portuguesa.

sábado, 7 de julho de 2007

Missa no Rito Antigo!

Acabo de receber notícia da Agência Ecclesia, onde se explicam as razões da permissão do uso do Rito de São Pio V, ainda que de forma extraordinária. Na verdade, a primeira razão é a da reconciliação com uma facção que nunca aceitou o Novo Rito, promulgado pelo Vaticano II. Contudo, a par desta razão, aparecem-nos outras razões, de não menor importância, de entre as quais sobressai o desejo de revalorizar a Eucaristia.
De facto, eu próprio subscrevo a necessidade de uma atenção constante ao modo como se celebra, à dignidade da celebração, ao cuidado em fazer da Eucaristia uma verdadeira expressão de encontro com o Sagrado. Ainda há dias publicava um pequeno artigo sobre a necessidade de criarmos espaços de silêncio e de espiritualidade nas nossas Igrejas e nas nossas celebrações. Todavia, o Novo Rito permite-nos isso mesmo e deverá ser continuamente revalorizado, de modo a que a Eucaristia se torne numa verdadeira fonte de encontro com Cristo e de renovação das Comunidades Cristãs.
Receio, porém, que alguns padres (com o devido respeito pela orientação de cada um!) façam um uso indiscriminado deste rito antigo, privando os fiéis da participação na fonte da vida cristã, que é a Eucaristia. Repito o que disse anteriormente: a Eucaristia permite-nos uma imagem da Igreja que somos. A Eucaristia segundo o Novo Rito, que provém do Vaticano II , permite-nos perceber a Igreja como comunidade ministerial, como verdadeira comunidade, como Igreja que assume como seu um dom fundamental que o Senhor oferece a todos os seus discípulos. E não tenhamos qualquer receio desta ou daquela presença dos Leigos. Afinal, somos todos participantes de uma mesma igualdade fundamental e de uma mesma dignidade que nos vem do baptismo (cf. Lumen Gentium, nº 32 - Cap. IV); somos todo igualmente convidados à mesma santidade (cf. Lumen Gentium, Cap. V). Espero, sinceramente, que esta permissão aproxime os que de algum modo estavam separados da comunhão da Igreja, mas que não seja motivo de privar os fiéis dos direitos que lhe são devidos. Senão, entramos aqui no domínio da injustiça, uma vez que privamos de uma fecunda participação nos Mistérios da Fé aqueles que têm direito a participar neles o mais profundamente possível. Sempre na complementaridade dos Ministérios, para bem de todo o Povo de Deus.
Já nem me refiro a uma certa saudade do passado, presente em certas facções da Igreja e que alguns Bispos bem interpretaram no Sínodo de 2005. Peço a Deus que o maior dom concedido à Igreja no século XX - o Vaticano II - não sofra agora "emendas" que lhe venham retirar a sua eficácia. Bem pelo contrário: precisamos de Bispos, Padres, Leigos, Religiosos e Religiosas que assumam o Concílio Vaticano II como um grande dom feito à Igreja pelo Espírito Santo e que tudo façam para que a Igreja de hoje chegue aos desígnios de Deus ali presentes. Neste sentido, recordo o grande dom que foi o Papa João XIII, por quem nutri sempre um carinho especial, mesmo não o tendo conhecido, esperando que tenhamos hoje a mesma abertura de espírito que ele teve no seu tempo e na condução da Igreja face aos tempos futuros.
Pe. Carlos Alberto Godinho

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Os desafios de Bernard Häring!


A propósito do que escrevi antes, do comentário de Filipe Costa e do livro de Häring que seleccionei, como um do que me marcou no meu processo de crescimento, deixo aqui, precisamente, um dos fortes desafios deste grande Teólogo da Igreja. Diz ele: A Igreja deve-se preocupar com que os cristãos se evidenciem como pessoas adultas, capazes de responsabilidade no mundo temporal, na política, na cultura, na sociedade. (...) Todavia, é impensável que os cristãos, que agem como conformistas no seio da Igreja, se mostrem, ao mesmo tempo, no meio do mundo, como pioneiros da liberdade interior e exterior. (...) A Igreja precisa de cristãos adultos que sejam a vanguarda de uma autêntica liberdade, capazes de assumirem responsabilidades e de serem pioneiros no campo da justiça social e da política pacifista.
(In Última Palavra de Profeta)
Palavras verdadeiramente de Profeta!

Missa segundo o Rito de São Pio V!


Confesso que me espantam as primeiras razões que conduzem o Papa a permitir a celebração da Eucaristia segundo o "Antiquus Ordo", o rito de São Pio V. Num primeiro momento, julguei tratar-se de uma concessão feita à facção mais tradicionalista da Igreja, no sentido de gerar a comunhão com estes irmãos separados por um conjunto de princípios, nomeadamente no modo de celebrar os Mistérios da Fé. Lembro, por exemplo, os seguidores de Monsenhor Lefébvre e a sua inaceitação do "Novus Ordo". Apenas esta razão me parecia plausível para se avançar nesta concessão. Ainda que eu, pessoalmente, não concorde com ela.

Todavia, as primeiras razões apontadas, hoje, pela Agência Ecclesia, remetem-nos para a valorização do culto, tendo em conta os "«tesouros» espirituais, litúrgicos, culturais e estéticos ligado ao Rito Antigo".

A ser assim, e reagindo antes ainda de uma clarificação do Santo Padre, eu questiono-me sobre toda a pastoral litúrgica que a Igreja assumiu, e bem, desde o Vaticano II, dando à Eucaristia - centro da vida da Igreja - uma dimensão verdadeiramente comunitária, em toda a sua extensão: assembleia orante, diversidade de ministérios e serviços, expressão de uma verdadeira comunhão à volta de um único altar. Mesmo este, enquanto centro da celebração, retorna à simbologia do passado, deixando-nos entrever a celebração como realidade "privada" do ministro ordenado, afastando-se da dimensão comunional da Igreja, que na acção Sagrada se representa.

Francamente vou esperar pelo «motu próprio» do Papa. Mas desde logo me questiono sériamente sobre este regresso ao passado - que o Vaticano parece querer recusar! - e, sobretudo, sobre a imagem eclesiológica aí representada. Que Igreja queremos visualizar na celebração da Eucaristia: novamente a Igreja Hierárquica ou verdadeiramente uma Igreja Mistério de Comunhão, afirmação central da Lumen Gentium do Vaticano II, que tão bem se expressa na Reforma Litúrgica ? É que o modo de celebrar não é apenas um acto isolado. Pelo que acabo de afirmar, na Eucaristia evidenciamos a verdadeira imagem da Igreja!


Pe. Carlos Alberto Godinho

terça-feira, 3 de julho de 2007