Todos nós, de um modo ou de outro, desejamos mudar o mundo, tornando-o mais justo, mais fraterno, solidário... Numa palavra, mais humano!
Ora, o mundo só poderá mudar na justa medida em que nós mudarmos, em que formos capazes de alterar as nossas vivências, as nossas opções, os nossos afectos, as nossas atitudes. Nunca mudaremos o mundo se não mudarmos o nosso próprio ser. Mais: o mundo só muda na justa medida em que nós, pequenas parcelas do todo, o mudarmos no nosso íntimo. Não podemos, por isso, ter a veleidade de mudar o todo. Mas podemos, sim, mudar a parte que nós somos.
E a grande dificuldade reside aqui: queremos mudar os outros e não somos capazes de nos transformar a nós próprios. A velha sabedoria clássica de Esopo (sécs. VII - VI a.c.), nas suas fábulas, coloca-nos perante este dilema, ao referir-nos o alforge: à frente trazemos, com demasiada frequência, os defeitos dos outros e atrás os nossos. Ora, assim nunca consciencializamos os nossos defeitos e dificilmente os corrigimos. Ao contrário, temos sempre diante de nós os defeitos dos outros, que queremos combater.
Algumas vezes, referindo-me a esta fábula, afirmo a necessidade de mudarmos a posição dos sacos do alforge. Só assim somos mais conscientes de nós, capazes de uma verdadeira autocrítica e consequente mudança.
O mundo só muda quando cada um de nós for capaz de iniciar esta mudança!
domingo, 1 de julho de 2007
O Estudo da História!
Enquanto lia, há dias, uma pequena introdução de um Manual de História, dirigida a professores, pensava na necessidade de se valorizar esta disciplina no processo de formação dos nossos alunos.
Num tempo em que o ensino parece particularmente orientado para uma imediata aplicação – e essa é a sua função! – podemos esquecer-nos da perspectiva mais alargada a privilegiar na formação da pessoa. E é aqui, não obstante o imediato, no desenvolvimento das suas competências específicas, que entram as Ciências Sociais, particularmente a História.
Para quê estudar História? Esta será a pergunta de fundo.
Se conhecer os mais importantes acontecimentos nacionais e mundiais é requisito para uma cultura geral que deve informar a mundividência de cada cidadão, a formação para a cidadania, a compreensão da mudança e participação consciente nesse processo contínuo, ou ainda a consciência da pluralidade e da tolerância, são valores, por si só, que apelam à sua valorização num projecto educativo. Tanto mais que vivemos num mundo em rápida aceleração, num tempo de alguma “crise” (entendida como mudança) de participação cívica e politica; num tempo marcado por tantas clivagens, não só ideológicas – oriundas do passado ou geradas pelo presente, mas, igualmente sociais, civilizacionais, religiosas, etc. Um tempo que exige a consciência de mim e a consciência do outro, geradora de atitudes de construção plural de um mundo cada vez mais pequeno ou, no mínimo, mais próximo. Por isso sublinho que através da História “ o aluno constrói uma visão global da complexa sociedade em que vive e assume consciência da permanente mudança no tempo, bem como da dimensão abrangente e plural do Mundo”[1]. Ou ainda, “ a História continua a assumir um papel decisivo na formação do aluno para o exercício da cidadania”[2]. Queremos, certamente, homens e mulheres competentes (processo de desenvolvimento de capacidades específicas que o processo de ensino / aprendizagem prevê), mas homens e mulheres cada vez mais conscientes dos seus destinos pessoais e comunitários, interventivos, capazes de gerar respostas fundamentadas e sólidas aos desafios que cada hoje coloca a todos nós. O ensino da História coloca-se aí, ao lado de outros conhecimentos: a incentivar positiva e conscientemente no processo de construção do presente, cujo passado é suporte e o futuro um devir que nos pertence.
Carlos Alberto da Graça Godinho
[1] Natércia Crisanto et Aliud, Olhar a História 8, Porto, Porto Editora, 2004, p.4
[2] Ibidem.
Num tempo em que o ensino parece particularmente orientado para uma imediata aplicação – e essa é a sua função! – podemos esquecer-nos da perspectiva mais alargada a privilegiar na formação da pessoa. E é aqui, não obstante o imediato, no desenvolvimento das suas competências específicas, que entram as Ciências Sociais, particularmente a História.
Para quê estudar História? Esta será a pergunta de fundo.
Se conhecer os mais importantes acontecimentos nacionais e mundiais é requisito para uma cultura geral que deve informar a mundividência de cada cidadão, a formação para a cidadania, a compreensão da mudança e participação consciente nesse processo contínuo, ou ainda a consciência da pluralidade e da tolerância, são valores, por si só, que apelam à sua valorização num projecto educativo. Tanto mais que vivemos num mundo em rápida aceleração, num tempo de alguma “crise” (entendida como mudança) de participação cívica e politica; num tempo marcado por tantas clivagens, não só ideológicas – oriundas do passado ou geradas pelo presente, mas, igualmente sociais, civilizacionais, religiosas, etc. Um tempo que exige a consciência de mim e a consciência do outro, geradora de atitudes de construção plural de um mundo cada vez mais pequeno ou, no mínimo, mais próximo. Por isso sublinho que através da História “ o aluno constrói uma visão global da complexa sociedade em que vive e assume consciência da permanente mudança no tempo, bem como da dimensão abrangente e plural do Mundo”[1]. Ou ainda, “ a História continua a assumir um papel decisivo na formação do aluno para o exercício da cidadania”[2]. Queremos, certamente, homens e mulheres competentes (processo de desenvolvimento de capacidades específicas que o processo de ensino / aprendizagem prevê), mas homens e mulheres cada vez mais conscientes dos seus destinos pessoais e comunitários, interventivos, capazes de gerar respostas fundamentadas e sólidas aos desafios que cada hoje coloca a todos nós. O ensino da História coloca-se aí, ao lado de outros conhecimentos: a incentivar positiva e conscientemente no processo de construção do presente, cujo passado é suporte e o futuro um devir que nos pertence.
Carlos Alberto da Graça Godinho
[1] Natércia Crisanto et Aliud, Olhar a História 8, Porto, Porto Editora, 2004, p.4
[2] Ibidem.
(Texto escrito para o Jornal da Escola Secundária da Mealhada, no Ano Lectivo 2004/2005)
sábado, 30 de junho de 2007
Evangelização hoje!
Na sequência de uma reunião de catequistas, reflectia alguns aspectos que é necessário assumir para levar a cabo uma séria Evangelização nos dias de hoje.
Em primeiro lugar, não podemos pretender Evangelizar contra a cultura de hoje, com saudades de um clima passado mais propício a esta tarefa. Isto é, somos enviados a Evangelizar o homem de hoje em todas as suas circunstâncias: sociais, culturais, afectivas, etc. Nisto podemos ter presente o exemplo de São Paulo, que soube falar aos homens de seu tempo, partindo da sua cultura e das suas vivências.
Em segundo lugar, exige-se hoje um Catecumenado sério, um verdadeiro caminho de Iniciação Cristã, adaptado a estes novos tempos, que permita alcançar os objectivos da Evangelização: formar verdadeiros discípulos de Cristo. Para tal, este caminho há-de ser de iluminação intelectual, afectiva, celebrativa e de verdadeiro compromisso, tendo em conta as diversas vertentes de uma verdadeira Iniciação Cristã: ao conhecimento doutrinal , à celebração, à oração, à vivência moral e ao empenho missionário.
Para que seja possível este processo, cada vez mais havemos de cuidar dos agentes de Evangelização. Aqui assume particular importância o ministério do Catequista nas nossas comunidades. Ele tem de ser pessoa carismática, capaz de exercer a missão a que é chamado pela comunidade e, portanto, coerente com todo o projecto cristão. Antes de mais, ele é chamado a ser testemunha da verdade que anuncia.
O modo como se efectua, ou não, esta Evangelização é estruturante de toda a vida das nossas comunidades. Não teremos vivências de compromisso cristão e comunitário sem este compromisso primeiro de uma iniciação completa, que contemple todas as vertentes apontadas.
E afinal, importa recordá-lo sempre, esta é a tarefa primeira confiada à Igreja: "Ide e anunciai a Boa Nova!"
Em primeiro lugar, não podemos pretender Evangelizar contra a cultura de hoje, com saudades de um clima passado mais propício a esta tarefa. Isto é, somos enviados a Evangelizar o homem de hoje em todas as suas circunstâncias: sociais, culturais, afectivas, etc. Nisto podemos ter presente o exemplo de São Paulo, que soube falar aos homens de seu tempo, partindo da sua cultura e das suas vivências.
Em segundo lugar, exige-se hoje um Catecumenado sério, um verdadeiro caminho de Iniciação Cristã, adaptado a estes novos tempos, que permita alcançar os objectivos da Evangelização: formar verdadeiros discípulos de Cristo. Para tal, este caminho há-de ser de iluminação intelectual, afectiva, celebrativa e de verdadeiro compromisso, tendo em conta as diversas vertentes de uma verdadeira Iniciação Cristã: ao conhecimento doutrinal , à celebração, à oração, à vivência moral e ao empenho missionário.
Para que seja possível este processo, cada vez mais havemos de cuidar dos agentes de Evangelização. Aqui assume particular importância o ministério do Catequista nas nossas comunidades. Ele tem de ser pessoa carismática, capaz de exercer a missão a que é chamado pela comunidade e, portanto, coerente com todo o projecto cristão. Antes de mais, ele é chamado a ser testemunha da verdade que anuncia.
O modo como se efectua, ou não, esta Evangelização é estruturante de toda a vida das nossas comunidades. Não teremos vivências de compromisso cristão e comunitário sem este compromisso primeiro de uma iniciação completa, que contemple todas as vertentes apontadas.
E afinal, importa recordá-lo sempre, esta é a tarefa primeira confiada à Igreja: "Ide e anunciai a Boa Nova!"
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Outra imagem da Turquia...
O Pantocrator.
A imagem do Pantocrator foi fotografada por mim numa das Capelas subterrâneas da Turquia.
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